Projeto usa técnicas para evitar ataques a gado e faz safari de onças para turistas
José Medeiros
Felinos são vistos nas margens do Pantanal, principalmente nos períodos de seca, época é excelente para ecoturismo. E a maioria dos turistas são gringos
Considerado o maior felino das Américas, a onça pintada tem uma enorme força muscular e também a mandíbula mais potente entre os felinos do mundo. Por isso, tem se transformado em um dos animais mais requisitados para o ecoturismo no Brasil. Esse nicho de mercado, forte no Pantanal, deixa milhões de investimentos vindos dos turistas, principalmente, de outras nacionalidades.
José Medeiros
Na região, o ecoturismo é feito só de barco porque área é mais alagada do que outras do Pantanal, turistas "desembolsam" de R$ 300 a R$ 1 mil por passeio
Em algumas áreas, essa prática pode ser feita a partir de carros, mas em áreas mais alagadas como a da região de Porto Jofre, na Fazenda Jofre Velho, é realizada com a ajuda de barcos. Fato que mudou a rotina de quem vive na fazenda, já que lá a pecuária ainda é uma das formas de sustento, mas ainda gerava poucos empregos aos ribeirinhos.
José Medeiros
Ecoturismo tem mudado economia e rendido mais empregos à população, local que antes vivia principalmente da pecuária, mas agora tem outras opções
Foi então que, unir o útil ao agradável, tornou-se a solução. Um projeto usa tecnologia a base de cercas elétricas, criação de búfalos, boi pantaneiro e disparo de luzes “repelentes” para proteger o gado do ataque das onças. E, ao mesmo tempo, motivar a ideia de que para se criar gado não há a necessidade de machucar os felinos. Pelo contrário, é possível buscar harmonia entre todos os animais e ainda movimentar a economia local.
José Medeiros
Rafael Hoogesteijn ajuda a desenvolver sistemas de proteção animal em MT. Trabalho preserva onças e protege o gado. Ele atua no Pantanal há 11 anos
É o que explica o pesquisador e veterinário Rafael Hoogesteijn, que está há 11 anos no Brasil, e relata a eficácia das técnicas aplicadas na região – em todos os setores possíveis. Rafael é um dos personagens da “Expedição 300 - O rio das lontras brilhantes: da nascente à foz”, retratado pelo fotógrafo José Medeiros, e contou à reportagem que, por conta do ecoturismo, já há um movimento de 7 milhões de dólares só na região pantaneira de Porto Jofre.
José Medeiros
Bufalos intimidam ataque das onças pela região pantaneira, eles são robustos e enfrentam felinos - servem de escudo para o gado que não combate a fera
“As pessoas que vivem aqui também estão felizes porque ficam empregadas por mais tempo ao ano. Antes, elas viviam só da pecuária e a pecuária tem mais modalidades de serviços para homens, mas agora as mulheres também conseguem usufruir dessa movimentação dos turistas”, destaca o pesquisador.
José Medeiros
Parte do sistema de proteção tem cuidado diurno de trabalhadores rurais. Cavalaria ajuda no desempenho juntos aos peões contratados para a fazenda
O sistema de cercas elétricas, com desenho antidepredação, usado em uma área de 20 hectares, mantém grupos de animais mais vulneráveis, como bezerros e novilhas recém-desmamados (as). Para este caso, Rafael explica que são necessárias cercas elétricas e o monitoramento de peões durante o dia.
José Medeiros
Onças não atacam há algum tempo, sistema é eficaz e tem dado retorno financeiro para quem investe nas tecnologias, todas elas, avaliadas por pesquisas
Já para proteger a criação do gado adulto, é possível aliar à criação de búfalos e do boi pantaneiro que, por serem mais robustos, inibem o ataque das onças, por isso, fazem o meio de campo entre as onças e o gado. Também é usado o sistema de luz que dispara e repele a ação das predadoras.
José Medeiros
Rio Cuiabá dá charme ao cenário da sede da fazenda, que é uma das pioneiras neste modelo de criação de gado que ajuda a preservar as onças do Pantanal
As técnicas, graças à eficácia, têm se popularizado na região. “Com isso, notamos que é possível a natureza continuar em harmonia, preservar o meio ambiente e todos que vivem nela. O projeto também se preocupa de reverter esses investimentos aos pecuaristas. Pois, a partir do momento que eles investem nessas tecnologias, também precisam do retorno na criação”, conta.
José Medeiros
Onças caçam por todo Pantanal e precisam de área preservada para sobreviver. Ecoturismo tem ajudado na conservação e combate a caça e abate felino
O acesso à região pantaneira no Estado é pela Transpantaneira (MT-060), que corta o Pantanal mato-grossense de Poconé ao Distrito de Porto Jofre. A via possui cerca de 150 km de extensão e passa por várias pousadas ao longo da estrada. Rafael salienta que para o turismo ecológico, no entanto, o valor varia de R$ 300 a R$ 1 mil por pessoa. Em grupo, o valor costuma ser mais acessível. No período de seca é possível ver mais onças, já que com a baixa dos rios elas tendem ir às margens para beber água e ir atrás das caças que também necessitam da água para sobreviver.