EXPEDIÇÃO 300

Sexta-Feira, 29 de Novembro de 2019, 08h:23 | Atualizado: 29/11/2019, 08h:30

Projeto usa técnicas para evitar ataques a gado e faz "safari" de onças para turistas

José Medeiros

Felinos são vistos nas margens do rio nos períodos de seca, época é considerada ideal para ecoturismo

Felinos são vistos nas margens do Pantanal, principalmente nos períodos de seca, época é excelente para ecoturismo. E a maioria dos turistas são gringos

Considerado o maior felino das Américas, a onça pintada tem uma enorme força muscular e também a mandíbula mais potente entre os felinos do mundo. Por isso, tem se transformado em um dos animais mais requisitados para o ecoturismo no Brasil. Esse nicho de mercado, forte no Pantanal, deixa milhões de investimentos vindos dos turistas, principalmente, de outras nacionalidades.

José Medeiros

Na região o ecoturismo é feito só de barco porque área é mais banhada por rio

Na região, o ecoturismo é feito só de barco porque área é mais alagada do que outras do Pantanal, turistas "desembolsam" de R$ 300 a R$ 1 mil por passeio

Em algumas áreas, essa prática pode ser feita a partir de carros, mas em áreas mais alagadas como a da região de Porto Jofre, na Fazenda Jofre Velho, é realizada com a ajuda de barcos. Fato que mudou a rotina de quem vive na fazenda, já que lá a pecuária ainda é uma das formas de sustento, mas ainda gerava poucos empregos aos ribeirinhos.

José Medeiros

Ecoturismo tem mudado economia local e rendido mais empregos aos locais

Ecoturismo tem mudado economia e rendido mais empregos à população, local que antes vivia principalmente da pecuária, mas agora tem outras opções 

Foi então que, unir o útil ao agradável, tornou-se a solução. Um projeto usa tecnologia a base de cercas elétricas, criação de búfalos, boi pantaneiro e disparo de luzes “repelentes” para proteger o gado do ataque das onças. E, ao mesmo tempo, motivar a ideia de que para se criar gado não há a necessidade de machucar os felinos. Pelo contrário, é possível buscar harmonia entre todos os animais e ainda movimentar a economia local.

José Medeiros

Especialista ajuda desenvolver sistemas de proteção animal no Estado, tanto gado, quanto onças

Rafael Hoogesteijn  ajuda  a desenvolver sistemas de proteção animal em MT. Trabalho preserva onças e protege o gado. Ele atua no Pantanal há 11 anos

É o que explica o pesquisador e veterinário Rafael Hoogesteijn, que está há 11 anos no Brasil, e relata a eficácia das técnicas aplicadas na região – em todos os setores possíveis. Rafael é um dos personagens da “Expedição 300 - O rio das lontras brilhantes: da nascente à foz”, retratado pelo fotógrafo José Medeiros, e contou à reportagem que, por conta do ecoturismo, já há um movimento de 7 milhões de dólares só na região pantaneira de Porto Jofre.

José Medeiros

Bufalos intimidam ataque das onças pela região pantaneira

Bufalos intimidam ataque das onças pela região pantaneira, eles são robustos e enfrentam felinos - servem de escudo para o gado que não combate a fera

“As pessoas que vivem aqui também estão felizes porque ficam empregadas por mais tempo ao ano. Antes, elas viviam só da pecuária e a pecuária tem mais modalidades de serviços para homens, mas agora as mulheres também conseguem usufruir dessa movimentação dos turistas”, destaca o pesquisador.

José Medeiros

Parte do sistema de proteção tem cuidado diurno de trabalhadores

Parte do sistema de proteção tem cuidado diurno de trabalhadores rurais. Cavalaria ajuda no desempenho juntos aos peões contratados para a fazenda 

O sistema de cercas elétricas, com desenho antidepredação, usado em uma área de 20 hectares, mantém grupos de animais mais vulneráveis, como bezerros e novilhas recém-desmamados (as). Para este caso, Rafael explica que são necessárias cercas elétricas e o monitoramento de peões durante o dia.

José Medeiros

Onças não atacam há algum tempo, sistema é eficaz

Onças não atacam há algum tempo, sistema é eficaz e tem dado retorno financeiro para quem investe nas tecnologias, todas elas, avaliadas por pesquisas

Já para proteger a criação do gado adulto, é possível aliar à criação de búfalos e do boi pantaneiro que, por serem mais robustos, inibem o ataque das onças, por isso, fazem o meio de campo entre as onças e o gado. Também é usado o sistema de luz que dispara e repele a ação das predadoras.

José Medeiros

Região é onde mais tem onças na América Latina

Rio Cuiabá dá charme ao cenário da sede da fazenda, que é uma das pioneiras neste modelo de criação de gado que ajuda a preservar as onças do Pantanal

As técnicas, graças à eficácia, têm se popularizado na região. “Com isso, notamos que é possível a natureza continuar em harmonia, preservar o meio ambiente e todos que vivem nela. O projeto também se preocupa de reverter esses investimentos aos pecuaristas. Pois, a partir do momento que eles investem nessas tecnologias, também precisam do retorno na criação”, conta.

José Medeiros

Onças caçam por todo Pantanal e precisam de área preservada para sobreviver

Onças caçam por todo Pantanal e precisam de área preservada para sobreviver. Ecoturismo tem ajudado na conservação e combate a caça e abate felino

O acesso à região pantaneira no Estado é pela Transpantaneira (MT-060), que corta o Pantanal mato-grossense de Poconé ao Distrito de Porto Jofre. A via possui cerca de 150 km de extensão e passa por várias pousadas ao longo da estrada. Rafael salienta que para o turismo ecológico, no entanto, o valor varia de R$ 300 a R$ 1 mil por pessoa. Em grupo, o valor costuma ser mais acessível. No período de seca é possível ver mais onças, já que com a baixa dos rios elas tendem ir às margens para beber água e ir atrás das caças que também necessitam da água para sobreviver.

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