Cuiabá, 01/11/2026

Atletas carregam a tocha olímpica e ressaltam a realização de sonho

Rio 2016

Tocha olímpica circula pelo país e está prestes a chegar em MT. Momento antecede início dos jogos

É um sonho que não se tinha, mas que de repente se realiza. Esta é a definição encontrada pelos atletas para explicar o que representa levar a tocha olímpica pelas ruas de Cuiabá e Várzea Grande, na quinta (23), um rito que percorre todo o país para a cerimônia de abertura dos jogos olímpicos em 2016, no Rio de Janeiro.  

Mesmo que muitos pensem que a chama olímpica, referência ao fogo que queimava em homenagem à deusa Hera durante os jogos de Olímpia surgiu nos Jogos de Atenas, na realidade, foi somente em 1928, nos Jogos de Amsterdã, que o fogo olímpico apareceu.

A chama passou a ser acesa com a corrida da tocha na abertura dos jogos em Berlim, em 1936.

O ritual foi criado para estabelecer um elo entre os jogos da antiguidade e os contemporâneos. A chama olímpica representa a pureza da eterna juventude olímpica, um elo entre o berço das Olimpíadas na Grécia e as cidades-sede, dos jogos atuais.

São 95 dias em que a tocha olímpica será conduzida em território brasileiro pelas cinco regiões do país em 327 cidades, passando pelas mãos de 12 mil pessoas, até chegar no dia 5 de agosto ao Estádio Maracanã, onde será acessa a Pira Olímpica e celebrada a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. Em Mato Grosso, 131 pessoas terão a oportunidade de carregá-la por 200 metros cada uma.

Entre os nomes selecionados, em Várzea Grande, consta o de Andreza Silva Benevides de 16 anos, que joga futsal desde os nove anos de idade. “Comecei a jogar futsal aos nove anos, com o meu técnico Gilson Freitas, que sempre foi amigo da família, e como se fosse um pai para mim. De 2009 a 2010 joguei no Colégio Meta e desde 2011 no Instituto Várzea-grandense de Educação (IVE)”, disse.

Galeria: Atletas de MT e tocha olímpica

A jovem atleta que se formou no ano passado quer continuar a trilhar o caminho do esporte, contudo, ressalta as dificuldades enfrentadas com a falta de apoio e torce para que a tocha olímpica possa mudar esta realidade. “Quero continuar, mas falta apoio, se não conseguir pretendo estudar fisioterapia que é algo que eu gosto e relacionado ao esporte também. A indicação para levar a tocha olímpica foi do meu técnico e foi uma sensação muito boa. Nunca imaginei, é um sonho que realiza sem nem saber que tinha”, contou.

Em 2013, Andreza foi pré-convocada na 1ª lista da seleção brasileira de futsal, mas com apenas 12 anos na época, o pai acreditou que seria melhor esperar devido à idade da filha. Agora, Andreza conta que continua jogando campeonato pelo IVE.

Gilberto Leite

Triatleta Carmencita Hokumurab é acostumada a correr, mas agora a emoção será outra, ela foi escolhida para levar a tocha

Com 50 anos a mais que Andreza, Carmencita Hokumura que completou 66 anos no último dia 12 de junho, Dia dos Namorados, vai conduzir a tocha olímpica pelas ruas de Cuiabá. A atleta disputa triatlos e competia em Chicago (EUA) quando as amigas, filhos e netos começaram a contar sua história para ser uma das selecionadas pelo Bradesco.

“Realmente é um sonho que não sonhava mas que se realiza, e foram minhas amigas, amigos, filhos, netos, pessoas que me conhecem há mais de 20 anos e contaram de forma simples a minha história. Tive 18 indicações, como Emanuelle, Pamela, Aline, Paulo, meus filhos que contaram que persevero naquilo que quero, e também que sempre disse aos meus quatro filhos para serem unidos um por todos, todos por um”, revela, orgulhosa do reconhecimento de amigos e familiares.

A relação com o esporte também vem desde a infância, como conta Carmencita. “Sempre pratiquei esportes, sou do Rio de Janeiro e sempre nadava na praia, pedalava, corria, e quando me mudei para Mato Grosso comecei a intensificar com o apoio do meu marido e da família”.

Com o apoio familiar, Carmencita viu as competições se desenvolverem no Estado. “Antes tinham poucas competições, agora temos que escolher no que participar. A minha primeira participação na Corrida de Reis foi em 1997, mas eu sempre tive o desejo de participar de uma competição que unisse as três etapas juntas, já pensava isso antes de existir (o triatlo)” - abaixo, em anexo, conheça a lista de condutores de Cuiabá.

Divulgação

Jogador profissional de futebol Nasser Untar Pereira

Nascido em Várzea Grande, quem também representa o município e a população é o jogador profissional de futebol, Nasser Untar Pereira, que no Estado jogou nos clubes do Operário, Mixto, Dom Bosco e União de Rondonópolis. Rodou o mundo jogando, e começou a circular pelo Brasil para defender o Londrina Esporte Clube no Paraná, depois o Maringá Esporte Clube e o Matsubara. Em São Paulo, o Botafogo de Ribeirão Preto. Depois na Bolívia, jogou no Oriente Petrolheirada e ainda chegou até a Espanha, onde competiu pelo Elche - conheça outros atletas de VG que vão levar a tocha.

Aos 12 anos começou a jogar bola, e da categoria juvenil no Operário passou para a profissional e toda esta experiência pelos campos se consolidou. Depois de 20 anos, encerrou sua carreira. Hoje, aos 50 anos, Nasser diz nunca ter imaginado a possibilidade de conduzir a tocha olímpica, imagina sobre o Brasil sediar as Olimpíadas.

“Nunca pensei que o Brasil seria honrado de receber as Olimpíadas, e é uma honra para mim, para a família e toda a cidade. É uma sorte tremenda, estou feliz até agora, mas só vou creditar na hora que tiver com a tocha nas mãos, porque o Brasil é cheio de falcatrua, vai que colocam outro para correr no meu lugar”, questiona, ainda sem acreditar que conduzirá a tocha olímpica pelas ruas de sua cidade.

A ficha pode ainda não ter caído, mas Nasser é um dos escolhidos e no dia 23 conduz um dos maiores símbolos dos jogos olímpicos. Professor de educação física há 10 anos na Universidade de Várzea Grande (Univag), o jogador tem um projeto para um centro de treinamento para preparação física.

“Esta oportunidade de conduzir a tocha olímpica abre caminhos, e a lembrança do nosso nome para conduzir, vai abrir algum caminho positivo para gente. É importante para abrir espaço para as pessoas do esporte, pois lutamos para que dê tudo certo, e hoje está tudo globalizado, é mais fácil alguém te ver e te levar para fora, basta ter talento, colocar um vídeo no YouTube, por exemplo. Antigamente, os atletas não tinham essa possibilidade, eu tive sorte de ter pessoas que acreditaram em meu talento”, conclui.