Cuiabá, 01/11/2026

Zé Eskiva supera dificuldades e é campeão mundial de muay-thai e kickboxing saiba

José Vaz Neto, o Zé Eskiva, tem 26 anos, apenas três destes dedicados à prática de artes marciais e ainda assim pelo menos que 20 premiações, entre medalhas e cinturões de campeonatos estaduais, brasileiros e mundiais (as mais recentes conquistadas em Birmingham, Inglaterra, entre 20 e 22 de outubro, e Carrara, Itália, de 25 a 29) de kickboxing e muay-thai.

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Zé Eskiva na Itália, onde ganhou 2º título internacional

Detalhe nada pequeno: no país mediterrâneo do exército mais poderoso que o mundo já viu por dois milênios e onde levou três medalhas, duas de ouro e uma de bronze, realizava-se uma competição a contento – um kumitê com 4 mil atletas, vindos de 100 países. Ele era o único brasileiro. Seu trajeto até a glória, entretanto, é do tipo clássico e clichê aos heróis.

Como o ocidente sabe desde Herácles, o passo dos grandes há de ser sempre pavimentado de pedras não lapidadas, espinhos, desafios de toda monta. O primeiro obstáculo sólido enfrentado por Skiva veio de si mesmo -- no início da prática esportiva (derivada ainda da infância), tomou gosto pelo basquete.

Afeito ao dedicar-se às suas paixões, treinou muito, conseguiu entrar para a seleção da cidade onde nasceu, Alta Floresta. Mas a vontade era bem maior, queria tornar-se jogador profissional, “sonhava jogar no Nacional de Basquete, mas eu era muito ruim”. Entretanto, só Deus sabe o tempo certo e o desígnio de cada um. Ele, porém, sentiu uma dor aguda no coração ao perceber que naquele esporte, seu talento era limitado para o tamanho de seus sonhos. Com peso no coração, aceitou o inevitável. Cheio de tristeza, teve sua primeira queda. Como desgraça pouca é bobagem, viu-se desempregado.

No meio da desdita, encontrou alento em um convite para dar aulas de basquete na cidade de Colíder, distante 168 quilômetros de casa. Aceitou o desafio, começou a treinar crianças, estas passaram a vencer competições. Como recompensa, a prefeitura da cidade ofereceu-lhe uma bolsa de estudos para cursar uma faculdade de Educação Física. Tudo ia bem. Até que o prefeito perdeu as eleições e com elas, Skiva, o emprego. Foi a segunda queda.

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Lutador Zé Eskiva aplica golpe lateral em oponente nos tempos de início, aqui no Brasil

De família humilde, não dava para passar nenhum período mais sem trabalho. Engolindo quadrado o peso de ver novos sonhos despedaçados (o afastar-se definitivamente do basquete e como bônus abandonar alunos e a perspectiva de um futuro como treinador formado) e aceitou uma oferta de emprego na construção de uma usina hidrelétrica, nas proximidades da cidade natal.

“Lá, me vi sem vida. Parei de jogar basquete, de fazer a faculdade, não tinha mais nenhuma atividade física. Só trabalhava o dia inteiro, me sentia cansado. Saía do trabalho e só queria dormir, não tinha ânimo para nada. Ia afundando e me sentindo preso. Comecei a entrar em depressão”, conta ao #rdnews. Era a terceira queda.

Com o coração e alma pesados e corpo anulado pela lida dura, foi resgatado pela notícia de que um campeonato de Kickboxing aconteceria em Alta Floresta. Como havia começado a treinar a modalidade quatro anos antes, quando ainda sonhava em ser profissional do basquete e fizera a arte marcial para melhorar o condicionamento físico, decidiu se inscrever no campeonato, mesmo sem treinamento algum. “Contei para os colegas de trabalho que iria lutar”. Todos deram risada, desengonçado que era, mas deram um precioso conselho: “Filma tudo, a gente compra carne, cerveja, come, bebe e dá risada”.

Dito e feito, exceto pelo roteiro das risadas, pois ele ganhava ali seu primeiro campeonato estadual. Corria o ano de 2014. Foi a primeira ascensão de Skiva.

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Na terra do Black Sabbath, Birmingham, Inglaterra: sonho realizado de Zé Eskiva

Seu primeiro feito chamou a atenção do chefe na obra da hidrelétrica. O homem chegou até ele, o felicitou e perguntou qual seria o primeiro passo. Skiva explicou que seria o brasileiro, mas explicou que não iria. Questionado sobre o porquê, respondeu.

“Não tenho dinheiro algum pra isso”. O até então chefe disse para ele somente se preocupar em treinar muito, pois iria patrociná-lo. Cheio de alegria pela possibilidade de voar de avião, distrair-se um pouco da rotina pesada dividida entre obra e o quarto de dormir, “passear, conhecer cidade grande (o campeonato era em Brasília), comer McDonald’s, ir no shopping foram ideias que me animaram. Resolvi me dedicar”. Foi a segunda ascensão de Skiva.

Mas não havia equipamento. Então ele começou a improvisar com travesseiros e colchonetes amarrados em traves do campo de futebol da usina, à guisa de sacos de pancada. Deu certo e o lutador acabou por repetir o feito do estadual ao ganhar o título de campeão brasileiro de kickboxing.

“Hoje tenho 10 medalhas de ouro do campeonato brasileiro, outras quatro de prata. Tenho dois cinturões brasileiros de muay-thai”, além de um desejo imenso de chegar ao ápice para os lutadores de artes marciais, participar do Ultimate Fight Championship (UFC). Seria a terceira ascensão hoje tão desejada por ele. Esta porém, não impediu que ele passasse dias de quase fome total em Olinda, aonde tinha ido competir em setembro passado.

Nada que o faça esmorecer, claro. Foi por essa seletiva que acabou indo parar na Europa. Como? Por meio de vaquinhas online, apoio de igrejas, ajuda de terceiros (que doavam 5, 10 reais), endividou-se, mas foi, viu e venceu. “Todos os dias na Europa eu acordava e não tinha dinheiro, mas não passei fome nem em um dia da minha vida lá. Agradeço muito as pessoas que ajudaram. Deus foi abençoando cada dia”, lembra.

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Novo objetivo de Zé Eskiva é chegar ao Ultimate Fight (UFC) e fazer ainda mais história

Plantel pra isso ele tem de sobra, pois Skiva está construindo com maestria. Das 103 lutas, ele acumula 90 vitórias, sendo 48 delas por nocaute. É tetra campeão estadual de muay-thai, tri estadual de kickboxing, tem dois cinturões brasileiros de ambas categorias. Agora, treina jiu-jitsu e boxe. É o brasileiro que mais tem premiações de kickboxing em atividade. Tem 10 lutas profissionais na carreira, 10 vitórias, sendo oito por nocaute.

Hoje, ele treina no Rio de Janeiro, tem apoio de quatro academias para manter sua rotina de treinamentos de oito horas diárias, de segunda a sábado, mas conta com somente R$ 900 de patrocínio para comer, morar e se vestir. Obviamente não dá. Então, o lutador mato-grossense que parece incansável faz trabalho freelance em táxis-barcos. De ilha em ilha, procura se equilibrar entre os barcos, as lutas e as intempéries da maré. Parece analogia perfeita com a maneira como procura manter-se vivo e forte. Na profissão e na vida.

As competições vencidas na Inglaterra são promovidas pela ICO (International Combat Organisation) e na Itália, pela WKA (World Kickboxing Association).

Quem quiser colaborar com a carreira de Skiva seja por patrocínio, apoio, equipamento ou torcida mesmo, mandando incentivos. Tem a página dele no Facebook. O telefone para contato é (66) 99611-4582 email: jhoipr@gmail.com.