Cuiabá, 15/10/2026

Adjunto da Casa Civil recebeu dinheiro de empresa que fez reforma na Governadoria

Secom-MT

A TMF Construções e Serviços Eireli reformou e estava reformando diversas estruturas do Palácio Paiaguás, no Centro Político Administrativo

O ex-secretário-adjunto da Casa Civil Wanderson de Jesus Nogueira teria recebido os R$ 20 mil apreendidos com ele do empresário Thiago Ronchi Adrien Eugênio, dono da TMF Construções e Serviços Eireli. A empresa recebeu R$ 3,4 milhões em 2020 e tem outros pagamentos empenhados a serem pagos por, entre outros serviços, a reforma sala da Governadoria, no Palácio Paiaguás.

Wanderson foi preso na noite de ontem (24), depois que o Gaeco recebeu denúncia anônima e fez uma campana na Casa Civil para pegar o ex-adjunto em flagrante. A TMF de Thiago Ronchi já reformou a Casa Civil, a sala de reuniões do governador e a sala de espera, a sala do chefe de Gabinete, e ainda está reformando o Gabinete de Comunicação, uma área que será da Defesa Civil e ainda há previsão de reforma da Vice-Governadoria, além do Gabinete Militar.

Reprodução

Wanderson foi exonerado depois de ser preso em flagrante por policiais do Gaeco

Os autos da prisão em flagrante mostram que os policiais do Gaeco foram até o Palácio Paiaguás e fizeram uma campana para monitorar o então adjunto. Quando ele deixou a Casa Civil e parou em frente ao prédio onde mora, próximo à loja Havan e ao supermercado Comper, na avenida do CPA, foi feita a abordagem.

Dentro de um Corolla preto, Wanderson estava com uma mochila preta e dentro dela foram encontrados os R$ 20 mil. Ele estava de carona com um servidor da Casa Civil, que disse desconhecer a situação envolvendo o suposto recebimento de propina.

O ex-adjunto admitiu que tinha acabado de receber o valor de Thiago Ronchi, representante da TMF. A empresa teria sido beneficiada por Wanderson em contratos com irregularidades no processo licitatório e que ontem mesmo a empresa havia recebido mais um pagamento do Estado.

Depois de respostas evasivas, Wanderson disse que tinha recebido o valor de Thiago por uma negociação envolvendo imóvel onde funcionaria a empresa Gelo Mais, que não está mais no nome de Wanderson desde 2016. O Gaeco foi ao local encontrou uma obra inacabada. O ex-adjunto chegou a ir com os policiais até um endereço de Thiago Ronchi Adrien Eugênio, mas ele não mora mais lá.

Os policiais ligaram para Thiago Ronchi e ele negou conhecer Wanderson. O empresário foi chamado ao Gaeco, mas mandou apenas seu advogado no lugar.

O Gaeco identificou no Fiplan pagamentos de R$ 3,4 milhões à TMF Construções em 2020, sendo que há outros empenhos ainda não pagos.  A equipe constatou que Wanderson assina alguns desses contratos pela Casa Civil.

Junto dos documentos apreendidos foi encontrado um termo de desclassificação de pregão eletrônico da Governadoria assinado pelo ex-adjunto, em 18 de maio, que tirava a empresa DSS da licitação. O contrato que acabou sendo firmado pela TMF é para serviço de manutenção predial da Governadoria, no valor de R$ 1 milhão. Ainda na quarta (23) foi constatado pagamento de R$ 123,7 mil para a TMF Construções e Serviços.