Afonso entrega ex-governador; Filinto seria cunhado de Chico Lima
Gilberto Leite/Rdnews
Afonso Dalberto afirma que esquema ocorreu com consentimento do ex-governador Silval Barbosa
O depoimento do ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) Afonso Dalberto indica que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) autorizou, em 2014, o pagamento dos R$ 7 milhões pela área que já havia sido adquirida pelo Estado, em 2002. O esquema foi desmantelado pela Operação Seven, deflagrada pelo Gaeco, nesta segunda (1º), resultando em quatro prisões.
Segundo Afonso, a transação ilegal foi tratada em reunião na Casa Civil com a presença do próprio Silval, do ex-secretário Pedro Nadaf e do procurador aposentado Chico Lima. No encontro, o presidente do Intermat teria recebido a ordem para liberar o pagamento do imóvel rural readquirido.
O curioso é que Chico Lima é cunhado do médico Filinto Corrêa da Costa, proprietário do lote alvo da investigação do Gaeco. O procurador aposentado, réu da Operação Sodoma sob a acusação de lavar o dinheiro obtido através da cobrança de propina para concessão de incentivos fiscais, atualmente reside no Rio de Janeiro e usa tornozeleira eletrônica por determinação da juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda.
No depoimento, Afonso disse que aproveitou a reunião para reclamar da falta de estrutura do Intermat. Silval teria dito para liberar os R$ 7 milhões, que o Governo “daria um jeito” na situação.
Operação Seven
A Operação Seven revelou que Filinto Corrêa da Costa recebeu R$ 7 milhões, em 2014, por 727,931 hectares que já haviam sido adquiridos pelo Governo, em 2002, junto a área de 3,240 hectares negociados, à época, por R$ 1,8 milhão. Um decreto assinado por Silval readequou a classificação do lote de Parque Estadual para Estação Ecológica, dispensando a necessidade de consulta pública, o que facilitou a transação.
Além de Afonso, a operação também prendeu o ex-adjunto da secretaria estadual de Administração (SAD), coronel José Nunes Cordeiro. Silval e Nadaf, que já estavam presos por conta da Operação Sodoma, e tiveram outras prisões preventivas decretadas pelo Judiciário.
Outro lado
As defesas de Silval e Nadaf consideram as prisões ilegais e declaram que os clientes não podem ser punidos pela assinatura do decreto, que possibilitou a aquisição da área. Segundo os advogados, o decreto representa mero ato de ofício. Filinto Corrêa, que também usa tornozeleira, afirmou por meio de nota que a investigação está equivocada e que jamais venderia a mesma área duas vezes.
“Filinto Corrêa da Costa tem dedicado ao longo do tempo mais de 45 anos da vida ao serviço público, tendo sido inclusive secretário estadual e municipal de Saúde, e secretário da Casa Civil, e não há nada que desabone ou que macule a sua conduta profissional, e pessoal, em todos os seus 73 anos de vida, por isso, esclarece publicamente que está tranquilo e disposto a prestar qualquer outro esclarecimento que qualquer autoridade precise e julgue necessário. Encerra esta nota agradecendo todas as manifestações de apoio recebidas", diz trecho do documento.
Já as defesas de Afonso e de José Nunes Cordeiro ainda não se pronunciaram oficialmente. Os advogados prometem falar após análise dos autos.
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