Ajoelhei e pedi perdão pra mãe dele por não conseguir salvá-lo, diz amigo de PM morto em conveniência
Testemunha, que é investigador da DHPP, teria apresentado Thiago a Mário, no local do crime
Durante depoimento do Tribunal do Júri, que julga o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves - acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, em 2023 -, nesta terça-feira (12), o amigo de ambos os envolvidos se emocionou ao relembrar o dia do crime e que teria sido ele a apresentar Thiago a Mário, na conveniência. “Me ajoelhei na frente da mãe dele, pedindo perdão por não ter conseguido salvá-lo. (...)Tive que fazer tratamento psiquiátrico, psicológico e terapêutico [...]. Me culparam, eu me culpei”, desabafou a testemunha, emocionada. O julgamento está sendo transmitido pelo canal do YouTube do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Questionado pelo promotor do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Vinícius Gahyva Martins, se Mário teria utilizado drogas no dia do crime, Walfredo não afirmou nem negou, mas disse que o policial civil estava exaltado desde o início. “Quando o apresentei ao Thiago, ele [Mário] estava completamente transtornado, com truculência ao cumprimentar ele [Thiago]”, relatou.
Alair Ribeiro/TJMT
A testemunha Walfredo Raimundo Adorno Mourão Júnior, que é investigador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)
Walfredo disse que o primeiro estranhamento entre Mário e Thiago se deu após o policial civil não acreditar que Thiago era PM. Segundo a testemunha, Mário chegou a dizer: “Ele não é PM porr* nenhuma”.
“A arrogância ou a prepotência dele [Mário], eu não sei se foi por ele [Thiago] ter tatuagem ou estar comigo (...). Eu não entendo até hoje, não sei o que aconteceu”, disse Walfredo ao advogado da filha de Thiago e assistente de acusação, Rodrigo Pouso.
Na sequência, Walfredo disse que pediu aos dois para que ambos parassem com o estranhamento, momento em que achou que estava tudo bem com a dupla, saiu da conveniência e ficou “flertando” com uma mulher. Ele destacou ainda que só viu que algo estava errado quando as “meninas começaram a gritar” e, ao olhar para trás, viu a briga.
Emocionado, Walfredo relatou o momento em que socorreu Thiago, o colocou no carro e disse à vítima: “Você não vai morrer, eu não vou te perder, cara. Até chegar e ele morrer no hospital”.
Lucas Figueiredo/TJMT
O réu Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves
O julgamento
O julgamento foi retomado nesta terça após ter sido suspenso depois de um “bate-boca” entre a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, que presidia a sessão, e o advogado Cláudio Dalledone, que faz a defesa de Mário.
Pela manhã, Walkiria Filipaldi Corrêa, viúva do policial militar Thiago de Souza Ruiz, afirmou que a filha sofre bastante com a falta do pai, que foi morto a tiros em uma conveniência de posto de combustível, em Cuiabá, em 2023.
Ao ser ouvida, Walkiria lamentou que o sofrimento da filha do casal, de 11 anos, que passou a se cortar e a tentar falar com o pai após ele ser morto. “Vi minha filha sendo exposta, se cortando, desmaiando, chorar quieta à noite, ligar para o pai como se ele tivesse vivo”, diz.
Tribunal do Júri acontece nesta terça-feira
Walkiria Filipaldi Corrêa, durante depoimento no período da manhã de hoje, no Tribunal do Júri
“Ela não tem pai presente e a gente sabe das consequências que isso terá na vida dela. A presença de um pai não tem preço. Esse mal que ele causou na minha família não tem volta nunca mais. Eu jamais perdoaria isso. Só Deus sabe o que eu passei”, completa.
Mário responde por homicídio qualificado, com as agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT).