Apontado como líder de esquema na Seduc, Guizardi é solto pela Justiça
Marcus Batista
Empresário Giovani Guizardi teve prisão fechada revertida em domiciliar
A juíza da Sétima Vara Criminal, Selma Arruda, transformou a prisão de Giovani Belatto Guizardi em domiciliar, ontem (20) à tarde, com monitoramento de tornozeleira. Considerado o “testa de ferro” do esquema que desviou recurso de obras de escolas estaduais, Guizardi estava preso desde maio, quando foi deflagrada a operação Rêmora. Nos bastidores, a informação é de que o empreiteiro teria feito acordo de delação premiada.
Conforme a investigação, Giovani era o intermediador pelo qual os servidores Fábio Frigeri, Wander Luiz dos Reis e Moisés Dias da Silval solicitavam e recebiam a vantagem indevida, que os empreiteiros se dispuseram a pagar em troca das informações privilegiadas e do apoio para vencerem as licitações dentro da secretaria estadual de Educação (Seduc).
Na denúncia, o Gaeco pede a condenação que pode chegar a 162 anos de prisão. O Gaeco aponta que o empreiteiro é o “testa de ferro” dos servidores públicos, o articulador, a pessoa que fazia o trabalho sujo a fim de ocultar a identidade dos verdadeiros solicitantes e recebedores da propina. Entretanto, se o acordo de colaboração for celebrado, o empresário deve receber benefícios.
O MP apurou também que Giovani era quem operava a cobrança e o recebimento da propina, sendo o responsável por colher as reclamações dos empresários quanto às questões burocráticas relativas ao acompanhamento e fiscalização da execução dos contratos administrativos ligados à Seduc.
Além disso, mesmo não fazendo parte do quadro de servidores da pasta, o empresário solucionava situações relacionadas a atos indispensáveis ao desenrolar dos procedimentos administrativos, que culminam em pagamentos por parte do Estado às empresas construtoras, em decorrência da execução total ou parcial do objeto dos contratos mantidos entre eles.
Denúncia
O Gaeco protocolou denúncia, em maio, contra 22 pessoas, entre servidores públicos e empresários, pelos crimes de constituição de organização criminosa, formação de cartel, corrupção passiva e fraude a licitação. A denúncia foi protocolada na Vara Especializada em combate ao Crime Organizado, Ordem Tributária e Econômica e crimes contra a Administração Pública da Capital.
De acordo com o Gaeco, levando-se em conta as imputações feitas na denúncia, as penas aos empresários variam, individualmente, de 24 anos a 58 anos de reclusão. O empreiteiro Giovani Guizardi, acusado de ser o arrecadador de propina, e os servidores públicos Fábio Frigeri e Wander Luiz dos Reis poderão ser condenados em até 162 anos de reclusão. O cálculo final levará em conta a quantidade de delitos praticados pelos denunciados de forma reiterada.
Advogado de Guizardi, Rodrigo Mudrovitsch, não atendeu as ligações do #rdnews.