Cuiabá, 27/10/2026

Após pedido do MP, juiz adia para setembro julgamento de Ledur

Rodinei Crescêncio

O promotor de Justiça Paulo Henrique Amaral Motta pediu o adiamento do julgamento da tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur de Souza Dechamps, marcado para hoje (13) e amanhã (14). Ledur é acusada de tortura que resultou na morte do jovem Rodrigo Claro, aos 21 anos durante o Curso de Formação de Soldados.

Segundo o promotor, ele está impossibilitado de comparecer por motivo de saúde. A nova data para o julgamento ficou adiada para 23/09/2021, às 13h.

O pedido do MPE foi apreciado pelo juiz da 11ª Vara Criminal e Justiça Militar, Marcos Faleiros que  comunicou o adiamento na abertura da sessão de hoje.

É o segundo adiamento do julgamento da tenente que deveria ter ocorrido em janeiro. Contudo, o juiz da 11ª Vara Militar em Cuiabá, Marcos Faleiros, atendeu a um pedido da defesa de adiar para julho sob a alegação de que precisaria de tempo para concluir a preparação final.

Reprodução

MP apontou que treinamento de jovem provocou "intenso sofrimento"

Ledur já foi ouvida pelo juiz durante audiência de instrução, ainda no ano passado. Na oportunidade, ela afirmou que o jovem teria demonstrado desequilíbrio nas provas na água e que teria sido a razão de focar o treino de Rodrigo. Alegou que, enquanto bombeiro, ele não poderia “vacilar” em uma ocorrência.

Mas, para o Ministério Público Estadual (MPE), a tenente teria dado “caldos” e afogamentos em Rodrigo como castigo por não ter conseguido um bom desempenho nos treinamentos. Ao pedir a condenação de Ledur, o MPE considerou que, no dia 10 de novembro de 2016, durante o treinamento de atividades aquáticas, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, ela submeteu Rodrigo “intenso sofrimento físico e mental com uso de violência”.

Após sair do treinamento, ele buscou atendimento médico e foi internado em um hospital onde acabou falecendo. Antes do ocorrido, Rodrigo relatou à mãe por mensagens de celular, que temia Ledur por conta do tratamento da tenente com ele.

A morte do soldado Rodrigo Claro completa 5 anos em novembro e a mãe do jovem, Jane Patrício Lima Claro pede que "a Justiça venha, de fato, a acontecer e não aconteça o corporativismo que a gente tem visto acontecer desde o início. Espero, em Deus, que não tenha proteção. Espero somente que a Justiça e a verdade prevaleçam”.