Cuiabá, 08/10/2026

Comandante afirma que PM réu por morte de investigador tinha cautela de revólver 

O 1.º sargento da Polícia Militar, Eder Leal Caetano, atual comandante do núcleo de Acorizal, onde a vítima trabalhava, foi ouvido pela promotoria nesta quinta

O terceiro dia do julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Vieira da Silva Gonçalves, réu pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, em uma conveniência de um posto em Cuiabá, em 2023 — segue tumultuado. Nesta quinta-feira (14), o 1.º sargento da Polícia Militar, Eder Leal Caetano, atual comandante do núcleo de Acorizal, onde a vítima trabalhava, foi ouvido pela promotoria e prestou esclarecimentos sobre a legalidade e porte do armamento que estava com Thiago Ruiz no dia do crime.

Josi Dias/TJMT

Ao ser questionado pela promotoria, Eder explicou que Thiago de Souza Ruiz atuava em Acorizal e fazia o trajeto da cidade para Cuiabá todos os dias. Ao notar que havia uma arma disponível na unidade, Thiago solicitou ao comandante a cautela do objeto, que foi autorizada por ele. Segundo Eder, o policial militar tinha o desejo de andar armado.

A data da documentação da cautela foi um dos pontos debatidos entre promotoria e defesa. De acordo com Eder, a documentação da arma foi feita no dia 26 de abril, um dia antes do crime. Em resposta à colocação da defesa de uma tentativa de "esquentamento" dos documentos, o comandante negou.

Durante a análise da arma, foi notado que o que seria o brasão da Polícia Militar, gravado em todo o armamento entregue às unidades, estava com uma espécie de ferrugem, geralmente causada por exposição a algum tipo de umidade. Eder reafirmou que a arma foi entregue em perfeitas condições à Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Josi Dias/TJMT

Por fim, em resposta ainda à promotoria, Eder reforçou, com certeza, que o armamento pertence à Polícia Militar de Mato Grosso e que a vítima poderia estar portando o armamento.

Brigas entre promotoria e defesa continuam

Os "estranhamentos" entre os advogados de defesa do réu, Renan Canto e Cláudio Dalledone, e o promotor do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Vinícius Gahyva Martins, continuaram nesta manhã. Os profissionais seguiram trocando ofensas, até pessoais, enquanto escutavam a testemunha do dia.

"Infantilidade com coisa séria. Um policial morto, o outro com a vida desgraçada e Vossa Excelência de brincadeirinha aqui", disse o advogado Cláudio Dalledone.

A sessão está sendo transmitida pelo canal do TJMT no YouTube.

O crime

Mário Wilson responde por homicídio qualificado, com as agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme denúncia do MPMT.

De acordo com as investigações, na madrugada do crime, a vítima chegou à conveniência acompanhada de um amigo. Posteriormente, Mário Wilson também chegou ao local e foi apresentado ao policial militar.

Imagens de câmeras de segurança registraram os envolvidos conversando momentos antes do crime. Conforme o inquérito, em determinado instante, Thiago Ruiz teria mostrado a arma que portava na cintura. Na sequência, o investigador civil se apoderou do revólver e efetuou os disparos. O policial militar morreu no local.