Cuiabá, 19/09/2026

Defesa cita filhas e pede nova soltura de mulher acusada de mandar matar marido

Advogados sustentam que a decisão de manter viúva presa é teratológica (absurda); juiz entendeu que Ana Flor é responsável pelo sofrimento das filhas menores

Reprodução

Ana Cláudia Flor, de 37 anos, está detida preventivamente na penitenciária feminina de MT

Defesa da representante comercial Ana Cláudia Flor, de 37 anos, entrou nesta sexta (1) com outro pedido de liberdade em favor da acusada de ser a mandante do assassinato o seu marido, o empresário Toni Flor, 38. Ela está detida preventivamente no presídio Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, desde o dia 19 de agosto deste ano.

Ontem (30), conforme noticiou o #rdnews, juiz Flávio Miraglia Fernandes, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, negou que prisão fosse convertida em domiciliar. Isto porque, no entendimento do magistrado, acusada representa risco à instrução processual.

De acordo com o pedido de HC, assinado pelos advogados Jorge Henrique Franco Godoy e Bárbara Lenza Lana, Ana Cláudia está detida “sem qualquer parcimônia e respaldo nos fatos concretos”, o que violaria direitos e garantias individuais como a presunção da inocência.

“Ideal, portanto, é que a ação da autoridade, nas sociedades erigidas em moldes democráticos, restrinja a liberdade individual somente em casos extremos, como último recurso, nas hipóteses em que o exercício das ditas liberdades públicas fira a liberdade alheia ou a ordem pública, o que não ocorre no presente caso”, diz trecho do documento.

Ainda, defesa insistiu no argumento de que a acusada em 3 filhas que estão sofrendo abalos psicológicos em decorrência da ausência do pai e da prisão da mãe. De acordo com os advogados, a filha menor tem ideações suicidas que poderiam ser evitadas caso a mãe não estivesse detida.

"A decisão (anterior) do magistrado é totalmente teratológica (absurda), pois hoje em dia até mesmo em crimes hediondos é concedido revogação de prisão, entre eles feminicidio, entre outros crimes", posicionou advogado  Jorge Henrique Godoy.

Pedido deve ser analisado pela Justiça. Em decisões anteriores, contudo, o magistrado entendeu que a representante comercial é a única responsável pelo sofrimento das filhas. De acordo com ele, a situação das crianças é comovente e, por isso, reforça ainda mais a brutalidade do crime cometido por Ana Cláudia.

O caso

Toni foi executado no dia 11 de agosto de 2020, quando estava sentado no meio fio em frente da academia onde treinava, em Cuiabá. Igor confessou que chegou próximo ao empresário, gritou “perdeu” e efetuou 5 disparos.

Homem foi socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), mas não resistiu e morreu. Hipótese de que ele tenha sido confundido com um policial federal foi descartada logo no início das investigações. Suspeita foi levantada pelo próprio empresário que, ferido, não entendeu o motivo de sua execução.

Investigações da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apontou que Ana Flor prometeu R$ 60 mil aos executores para que cometessem o crime. Contudo, só pagou R$ 20 mil. Sua manicure, irmã de um de seus amantes, também foi presa acusada de ser a “ponte” entre a viúva e os executores do marido.