Ex-secretários, Silval e empresários são presos em 4ª fase da Sodoma
Bárbara Sá
Nova fase da Sodoma é deflagrada e Silval e ex-secretários presos novamente
A Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) deflagrou na manhã desta segunda (26), a 4ª fase da Operação Sodoma, que investiga crimes de corrupção praticados por uma organização criminosa em Mato Grosso.
O foco da Operação Sodoma é o desvio de dinheiro realizado por meio de três desapropriações milionárias pagas pelo Governo Silval Barbosa (PMDB) em 2014. Os trabalhos de investigações iniciaram há mais de um ano.
Silval está preso no Centro de Custódia de Cuiabá e teve nova prisão preventiva cumprida hoje, além de Marcel de Cursi, Arnaldo Alves, Silvio Correia Araújo e Valdir Piran. Marcel de Cursi e Silvio também já estavam recolhidos. Valdir Piran e Arnaldo Alves tiveram os mandados de prisão cumpridos em Brasília, com apoio da Polínter do Distrito Federal.
Chico Lima, procurador de Estado aposentado, foi preso por mandado preventivo no Rio de Janeiro, por policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
Conduções coercitivas
Além disso, foram conduzidos coercitivamente Valdir Piran Junior, Eronir Alexandre, Marcelo Malouf, José Mikael Malouf, Willian Soares Teixeira, além do cumprimento de buscas e apreensão em residências e empresas dos investigados.
Irregularidades
As diligências realizadas evidenciaram que o pagamento da desapropriação do imóvel conhecido por Jardim Liberdade, localizado nas imediações do bairro Osmar Cabral, em Cuiabá, no valor de R$ 31,7 milhões à empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários Ltda, proprietária do imóvel, se deu pelo propósito específico de desviar dinheiro em benefício da organização criminosa liderada pelo ex-governador.
Ficou comprovado na investigação que participaram dessa fraude além dos nomes já citados estão Pedro Nadaf (ex-secretário chefe da Casa Civil), Afonso Dalberto (ex-presidente do Intermat), o proprietário do imóvel Antonio Rodrigues Carvalho, seu advogado Levi Machado, o operador financeiro do grupo criminoso Filinto Muller e os empresários Valdir Piran e Valdir Piran Junior, pai e filho.
De todo o valor pago pelo Estado pela desapropriação, o correspondente a 50%, ou seja, R$ 15,8 milhões retornaram via empresa SF Assessoria e Organização de Eventos, de Propriedade de Filinto Muller em prol do grupo criminoso.
De acordo com a investigação, a maior parte do dinheiro desviado no montante de R$ 10 milhões pertenciam ao chefe Silval, ao passo que o remanescente foi dividido entre os demais participantes, no caso os ex-secretários, Nadaf, Marcel, Arnaldo, Afonso Dalberto e o procurador Chico Lima.
Além de diversas colaborações premiadas, confissões e análise documental ocorridas durante a investigação que auxiliaram desvendar todo o modus operandi do esquema milionário de desvio de dinheiro público, a prova material obtida através dos afastamentos de sigilos bancários e fiscal corroboraram a participação de todos os envolvidos, não deixando quaisquer dúvidas quanto às suas respectivas atuações em mais esse enorme esquema criminoso que sangrou os cofres públicos.
Assim, com base em todas as provas produzidas a Polícia Civil representou por prisões preventivas, buscas e apreensões, conduções coercitivas e ainda bloqueios judiciais de contas bancárias, nos quais foram cumpridas em Cuiabá e nas cidades de Brasília e Rio de Janeiro.
Toda a operação conta com suporte da secretaria de Estado de Segurança (Sesp), da secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, e da Polínter de Brasília. Para a operação foram mobilizados 100 policiais civis (delegados, investigadores e escrivães lotados na Defaz, Deddica, GCCO, GOE, Dema, DRE).
Por se tratar de investigação sob sigilo, a Polícia Civil somente irá se pronunciar via a nota oficial.