Cuiabá, 22/09/2026

Juiz acolhe denúncia; Paccola vira réu por homicídio e tem porte de arma suspenso

Vereador atirou e matou agente do sistema socioeducativo em julho deste ano, em Cuiabá

Rodinei Crescêncio/RDNews

O juiz da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, Flávio Miraglia, acolheu denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) e tornou o vereador tenente-coronel Marcos Paccola (Republicanos) réu pela morte do agente do sistema socioeducativo Alexandre Miyagawa de Barros, o Japão, de 41 anos. Paccola foi denunciado por homicídio doloso qualificado.

A decisão foi assinada nesta terça (2). Além de acatar a denúncia, o magistrado determinou a suspensão do porte de arma do parlamentar. A arma de Paccola deverá ser entregue à Polícia Federal.

Conforme o juiz, a suspensão do porte de arma é necessário para garantia da ordem pública. “A suspensão do porte de arma é medida que se impõe para o acautelamento da ordem pública e recalcitrância delitiva, dado ao modus operandi descrito à exordial”.

Japão foi morto com três tiros nas costas no Bairro Quilombo, na Capital, na noite do dia 1º de julho. Na ação, o MPE denunciou Paccola por homicídio qualificado por motivo torpe e uso de recuso que impossibilitou a defesa da vítima.

Na denúncia, o MPE acusa o vereador por Cuiabá, que é pré-candidato a deputado estadual, de ter matado Alexandre Miyagawa na expectativa de lucrar politicamente. Na visão do MPE, Paccola tentou forjar uma imagem de "herói" nas redes durante repercussão sobre o crime.

Os promotores apontaram que, após o homicídio, o vereador "veiculou mídias sobre seu suposto ato de heroísmo, além de discursar, no exercício da vereança, exaltando seu feito e desprestigiando a figura da vítima".

Na ação, o MPE também salientou que Paccola, ao decidir interferir na confusão que envolvia Japão e a então namorada, Janaina Sá, com clientes de uma distribuidora de bebidas, ainda teria feito questão de garantir público para o seu ato.