Cuiabá, 22/10/2026

Juíza auxiliar do STF sofre agressões verbais em restaurante em Cuiabá

A juíza federal Clara da Mota auxilia o ministro Edison Fachin; ela já atuou no TRE-MT que manifestou solidariedade

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O Pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) manifestou solidariedade à juíza federal Clara da Mota Santos Pimenta Alves, que foi vítima de agressões verbais com teor xenofóbico, em um restaurante de Cuiabá. A manifestação foi feita pelo presidente, desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, ao final da Sessão Plenária desta terça (08), e teve adesão dos demais membros da Corte Eleitoral e da Procuradoria Regional Eleitoral.

Conforme informações da assessoria de imprensa do TRE-MT, a juíza federal auxilia o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e até setembro deste ano, integrou o TRE-MT como juíza-membro titular. Ela registrou um boletim de ocorrência relatando as ofensas feitas por um dirigente brasileiro da petrolífera britânica British Petroleum (BP), na última sexta (04).

No boletim de ocorrência registrado, a magistrada diz que o executivo teria atribuído a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Bahia, estado que "não produz nada" e "não possui PIB". A juíza Clara da Mota, que é baiana, estava acompanhada de suas duas filhas pequenas, e afirmou que o executivo sabe de sua origem e de sua ocupação, já que suas filhas convivem juntas há mais de dois anos.

A vice-presidente e corregedora regional eleitoral do TRE-MT, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, endossou a manifestação de solidariedade e ressaltou que, por se tratar de uma mulher, a covardia é ainda maior.  

“Ao encerrar esta sessão, quero manifestar a minha solidariedade a Dra Clara da Mota Santos Pimenta Alves, Juíza Federal, e que integrava até dias atrás esta Corte Eleitoral, pelas agressões verbais sofridas contra a sua pessoa e de sua família, por um indivíduo que certamente não tem as raízes mato-grossense. É repugnante a discriminação que vem assolando este pais por causa de viés político.

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Juíza Federal Clara da Mota Santos Alves

Cada um de nós temos a responsabilidade pelo futuro e de promover a pacificação, e para isso devemos começar a registrar esses fatos, essas agressões, e processar os seus autores. Receba a minha solidariedade, Dra. Clara, e esteja certa que é assim que se deve agir mesmo, punindo os transgressores”. 

O caso 

A colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo e do portal UOL, conta que o autor das ofensas é o chefe da British Petroleum (BP) no Brasil, Adriano Bastos. De acordo com a colunista, a juíza relatou à Polícia Federal que um advogado teria se aproximado de sua mesa e proferido acusações, sem provas, de que as eleições deste ano foram fraudadas.

Alves, então, defendeu o sistema eleitoral, e uma colega afirmou que ela exercia a função de juíza e atuava no STF. Segundo o relato da juíza aos policiais, foi então que o chefe da BP no Brasil, Adriano Bastos, também teria se aproximado de sua mesa e dado início às agressões verbais.

No boletim de ocorrência registrado, ela diz que o executivo atribuiu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Bahia, estado que "não produz nada" e "não possui PIB". Adriano Bastos, segue a magistrada, ainda teria dito que o eleitorado do petista é formado por "assistidos", além de "funcionários públicos" que "não trabalham, não fazem nada".

À polícia, a juíza federal também afirmou que o chefe da BP no Brasil sabia de sua origem baiana e de sua ocupação, já que suas filhas convivem juntas há mais de dois anos. O episódio foi notificado por ela ao compliance da petrolífera. Uma ação na esfera cível também será apresentada.