O policial civil Eder Lucas de Rezende revelou, durante o julgamento de Jackson Pinto da Silva, nesta terça-feira (20), que o réu teria contratado uma pessoa de São Paulo para enviar mensagens ao próprio celular, simulando pedidos de resgate pelo suposto sequestro da esposa, a empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos. Jackson é acusado de matar a mulher com uma abraçadeira plástica, conhecida como "enforca-gato", e enterrar o corpo no quintal de um imóvel, em maio deste ano, em Cuiabá.
Durante o depoimento, Eder relatou que Jackson demonstrava nervosismo ao procurar a polícia e afirmava que a esposa havia sido sequestrada. Para sustentar a versão, o acusado apresentou mensagens que atribuía a integrantes da facção criminosa Comando Vermelho, nas quais eram cobrados valores pelo suposto resgate da empresária.
No entanto, conforme o policial, as investigações apontaram que o próprio Jackson havia contratado uma pessoa de São Paulo para encaminhar as mensagens ao seu telefone, por meio de um mecanismo semelhante à clonagem de celular.
O investigador também contou que, durante o atendimento, Jackson permitiu que os policiais examinassem seu aparelho telefônico. Na ocasião, foi encontrada uma mensagem relacionada à locação de um dos imóveis pertencentes a Nilza, momento em que a equipe se deslocou ao imóvel e perceberam que a terra estava remexida, de modo que suspeitaram que a vítima poderia ter sido enterrada lá.
O caso
Jackson é julgado pelo Tribunal do Júri de Cuiabá, em sessão presidida pela juíza Mônica Perri, titular da 1ª Vara Criminal da Capital. Ele responde pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime. O acusado está preso no Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas e é defendido pela Defensoria Pública de Mato Grosso (DPEMT).
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Nilza foi morta por asfixia. As investigações apontaram que Jackson teria utilizado uma abraçadeira plástica presa ao pescoço da esposa, que também foi encontrada com abraçadeiras nas mãos e nos pés.
Rodrigo Moura / TJMT
A juíza, Mônica Perri, segurando uma das evidências do caso que aparenta ser uma abraçadeira plástica
A acusação sustenta que o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar. O Ministério Público também apontou possível motivação patrimonial, alegando que o réu teria adotado medidas para obter controle financeiro sobre bens e valores da empresária.
Ainda conforme a denúncia, Jackson teria transportado o corpo para outro imóvel de Nilza, no bairro Parque Cuiabá, onde o enterrou em um buraco aberto com auxílio de maquinário contratado anteriormente, sob a justificativa de realizar uma obra.
O MPMT também afirma que o acusado retirou equipamentos de armazenamento das câmeras de segurança da residência, numa tentativa de dificultar as investigações, e utilizou o celular da vítima para encaminhar mensagens aos familiares, simulando um sequestro e cobrando resgate.
O caso começou a ser esclarecido após Jackson procurar a polícia para comunicar o suposto desaparecimento da esposa. Durante o atendimento, os investigadores desconfiaram da versão apresentada e passaram a questioná-lo. Segundo as investigações divulgadas à época, ele acabou confessando o crime e indicando onde estava o corpo.
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