Motel de R$ 4,5 mi ligado a conselheiro tem dono associado a servidora do TCE
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O Las Vegas fica localizado na esquina entre as rua Olavo Bilác e Manuel Bandeira, no bairro Santa Cruz, em Cuiabá, e estaria envolvido no esquema
O motel Las Vegas, apontado pela Polícia Federal como sendo de propriedade do conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) Valter Albano, tem como dono atual Luís Mauro Soares da Silva. O empresário é sócio em uma agência de turismo com uma servidora do TCE-MT.
Na quarta (17), o Ministério Público Federal (MPF) e a PF deflagraram a 16ª fase da Operação Ararath e cumpriram mandados de busca e apreensão contra 19 alvos, sendo oito empresas, oito pessoas físicas, duas fazendas, além da sede do TCE-MT no Centro Político Administrativo. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) quebrou o sigilo fiscal e bancário de 33 empresas e 30 pessoas físicas supostamente envolvidas no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.
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O conselheiro Valter Albano está afastado do Tribunal de Contas desde setembro de 2017
Uma das empresas investigadas é o motel. No voto que conduziu a decisão do STJ de negar retorno de cinco conselheiros afastados do TCE-MT, incluindo Albano, o ministro Raul Araújo citou que o motel teria sido avaliado pelo próprio conselheiro em R$ 4,5 milhões. A informação consta em uma carta de Valter Albano dirigida a Luís Mauro que foi apreendida na Operação Malebolge, 12ª fase da Ararath, quando os conselheiros foram afastados do TCE-MT, em 14 de setembro de 2017.
A empresa foi registrada como Motel Las Vegas Ltda, uma microempresa apesar do alto valor apontado. A data de abertura na Receita Federal consta de 8 de maio de 2008, tendo Luís Mauro e Valter Albano como sócios. Em 11 de janeiro de 2018, quase 10 anos depois de sua fundação e cerca de quatro meses depois da deflagração da Malebolge, o cadastro na Receita foi “baixado”, ou seja, a empresa ficou inativa. O motivo consta como “extinção para encerramento liquidação voluntária”, que significa que a empresa foi desativada a pedido dos próprios sócios.
Apesar disso, o motel Las Vegas continuou funcionando no mesmo endereço, localizado na esquina entre as ruas Olávo Bilac e Manuel Bandeira, no bairro Santa Cruz, em Cuiabá, próximo de locais da vida noturna da cidade como a casa de shows Lua Morena. O novo CNPJ, porém, traz que o único proprietário é outra empresa, a LM Servicos De Hotelaria E Lavanderia Ltda, também cadastrada na Receita como Luís Mauro Soares Da Silva E Cia Ltda.
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Imagens disponibilizadas por clientes na internet mostram as instalações do Las Vegas
As investigações preliminares da PF e do MPF apontam que os conselheiros teriam utilizado empresas e pessoas físicas para esconder o recebimento das vantagens indevidas. De acordo com o ex-governador Silval Barbosa em colaboração premiada, R$ 53 milhões em propina teriam sido destinados a Valter Albano, Antonio Joaquim, José Carlos Novelli, Sérgio Ricardo e Waldir Teis.
Luís Mauro, além de ser dono do motel, também tem empresa no ramo de turismo. A agência de viagens L M Turismo E Transportes Ltda está cadastrada na Receita em nome dele e da servidora do TCE-MT. A empresa foi aberta em dezembro de 2005 e está registrada também no bairro Santa Cruz, na rua Padre José de Anchieta, a uma quadra do motel.
Ao pedir a quebra do sigilo das empresas ao STJ, a subprocuradora-geral da República Lindôra Araujo afirmou que os conselheiros e pessoas ligadas atuaram em um esquema complexo que inclui dezenas de operações comerciais financeiras, entre elas a compra do motel. No documento, a procuradora destaca que, embora, parte dos investigados já tenha sido alvo de medidas cautelares, as novas buscas eram necessárias para o esclarecimento completo do esquema criminoso.
Além da compra do motel, PF ainda identificou outras transações imobiliárias aparentemente irregulares entre Valter Albano e uma outra ex-servidora comissionada do TCE-MT. A mulher teria sido empregada da irmã do conselheiro, Teolinda Gomes da Silva, antes de assumir o cargo no órgão. Teolinda figurava como procuradora da ex-comissionada nos contratos de compra e venda de três lotes de um condomínio na Capital.
O #rdnews tentou contato com Luís Mauro nos telefones que estão registrados pelas empresas, tanto por ligação quanto pelo Whatsapp, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.