Cuiabá, 22/09/2026

MP diz que Paccola matou agente na expectativa de colher frutos políticos

Vereador foi denunciado por homicídio qualificado nesta quinta; Japão foi morto no dia 1º de julho

Reprodução/Montagem

Em ação proposta nesta quinta (28), o Ministério Público Estadual acusou o vereador por Cuiabá tenente-coronel Marcos Paccola (Republicanos), que é pré-candidato a deputado estadual, de ter matado o agente do sistema socioeducativo Alexandre Miyagawa de Barros na expectativa de lucrar politicamente. Na visão do MPE, Paccola tentou forjar uma imagem de "herói" nas redes durante repercussão sobre o crime.

 Japão foi morto com três tiros nas costas no Bairro Quilombo, na Capital, na noite do dia 1º de julho. Na ação, o MPE denunciou Paccola por homicídio qualificado por motivo torpe e uso de recuso que impossibilitou a defesa da vítima e ainda pediu, como medida cautelar, a suspensão do porte de arma do vereador.

Segundo os promotores de Justiça que assinam a denúncia, o denunciado agiu “no afã de projetar sua imagem como sendo de alguém que elimina a vida de supostos malfeitores e revela coragem e destemor no combate a supostos agressores de mulheres”.

Os promotores apontaram que, após o homicídio, o vereador "veiculou mídias sobre seu suposto ato de heroísmo, além de discursar, no exercício da vereança, exaltando seu feito e desprestigiando a figura da vítima".

"Há, portanto, evidências de que agiu na expectativa de que sua ação homicida lhe angariasse dividendos políticos, restando, pois, configurada a torpe motivação de sua conduta", destaca trecho da ação.

Na ação, o MPE também salientou que Paccola, ao decidir interferir na confusão que envolvia Japão e a então namorada, Janaina Sá, com clientes de uma distribuidora de bebidas, ainda teria feito questão de garantir público para o seu ato.

"Importante destacar e rememorar que o ora denunciado, ao visualizar que uma situação anômala ocorria, determinou que seu assessor parlamentar/motorista deixasse seu veículo atravessado na faixa da Avenida Filinto Muller, praticamente interrompendo o fluxo total da referida via, com o claro propósito de que sua presença e ação pudesse ser notada por um maior número de pessoas", diz trecho da denúncia.

Na sequência, segundo o MPE, ele se dirigiu ao local em que a vítima se encontrava "colocando-se na posição de autoridade que ali estava para 'colocar ordem na situação', o que acabou por descambar para uma desnecessária execução da vítima".

A denúncia foi assinada pelos promotores de Justiça Samuel Frungilo, Marcelle Rodriges da Costa e Faria, Antônio Sérgio Cordeiro Piedade e Vinícius Gahyva Martins.