Cuiabá, 30/10/2026

Presidente do STJ nega prisão domiciliar à primeira-dama do CV em Mato Grosso

Presa em operação, esposa de Sandro Louco recorreu à Corte Superior após ter HC negado em 1ª instância

A presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Maria Thereza de Assis Moura, negou habeas corpus que pedia a substituição da prisão preventiva pela domiciliar de Thaisa Souza de Almeida, mulher de Sandro Louco e "primeira-dama" do Comando Vermelho em Mato Grosso. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (3). 

A defesa alegou que Thaisa é mãe de uma criança menor de idade, ainda dependente de seus cuidados, e que estaria em estado de saúde debilitado, visto que foi submetida a um procedimento cirúrgico antes da prisão e encontra-se no período pós-operatóro. Segundo a defesa, a prisão preventiva de Thaisa configura "constrangimento ilegal". 

Porém, a ministra argumentou que o habeas corpus não poderia ser examinado pelo STJ porque o mérito ainda não foi julgado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). “Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente habeas corpus”, determinou a ministra

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Prisão

Thaisa Souza de Almeida foi presa no dia 23 de março no condomínio Florais da Mata, em Várzea Grande, durante a primeira fase da Operação Ativo Oculto. Um dia depois, a defesa requereu a substituição da prisão preventiva pela domiciliar, mas o pedido foi rejeitado pelo juiz  João Bosco Soares da Silva.

Além de Thaisa, a mãe de Sandro, Irene Pindo Rabelo Holanda, de 78 anos também foi levada para a delegacia. Isso porque na casa dela foi encontrado uma arma calibre 38 sem registro, além de R$ 36,5 mil. 

 Thaisa  é casada há 10 anos com Sandro Louco,  citado como o chefe do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ela é apontada como a “primeira-dama” da facção criminosa e descrita como “caridosa” por familiares de membros do CV, sendo responsável pela “atuação social” da maior facção criminosa de Mato Grosso.

Reprodução

Operação Ativo Ocuto

Nesta segunda-feira (3), advogada de Sandro também foi presa nesta durante ação da segunda fase da operação Ativo Oculto, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Nesta fase foram cumpridos 4 mandados de busca e apreensão e 3 mandados de prisão temporária de pessoas investigadas por serem operadoras financeiras do Comando Vermelho.

Conforme as investigações, o CV triplicou o número de faccionados em menos de três anos, contando atualmente com 30 mil integrantes. Além disso, em apenas seis meses em Mato Grosso, a facção movimentou quase R$ 10 milhões.