Promotor desmente governo sobre arquivar caso das interceptações
Gilberto Leite
Chefe do Gaeco Marcos Bulhões em uma das entrevistas que deu à imprensa
O coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado, promotor Marcos Bulhões, desmentiu a versão divulgada à imprensa pelo governador Pedro Taques (PSDB), nessa quinta (11), de que foram arquivadas as investigações sobre a suposta existência de interceptações "ilegais" na Comarca de Cáceres.
Bulhões esclarece que as informações apresentadas pelo Governo do Estado sobre o arquivamento, por meio do Ofício 446/2015, não guardam relação com os fatos que teriam ocorrido na Comarca de Cáceres.
Ao anunciar a saída do advogado Paulo Taques da secretaria da Casa Civil, o governador citou que Paulo irá atuar em uma investigação em curso na Procuradoria Geral da República sobre denúncia feita pelo ex-secretário estadual de Segurança Pública, promotor Mauro Zaque, e seu adjunto, Fábio Galindo, sobre eventual existência de interceptações telefônicas clandestinas no âmbito da Polícia Militar.
Taques disse ter recebido a denúncia em outubro de 2015 e remetido o caso ao Ministério Público Estadual, por meio do Gaeco, para investigação. “No mesmo mês de outubro de 2015, porém, o Gaeco fez a promoção do arquivamento das investigações por insuficiência de evidências do denunciado”, diz trecho da nota e ainda citou uma fala do ex-coordenador do grupo, Marco Aurélio de Castro.
“Não verifico qualquer outro elemento que justifique falar-se em interceptação telefônica clandestina, razão pela qual determino o arquivo do PRO, com as respectivas baixas”, escreveu o promotor de Justiça. O governador, contudo, ressalta que o caso encontra-se sob apreciação da PGR, uma vez que a mesma denúncia fora encaminhada para lá.
Entenda
Ao #rdnews, o advogado José do Patrocínio, um dos espionados, explicou que as escutas ilegais funcionavam como “barriga de aluguel”, na qual os números dos celulares de uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de entorpecentes foram grampeados e, nesta lista, eram inseridos os telefones de empresários, políticos, inclusive, com foro privilegiado. Ao todo, 120 pessoas teriam sido alvos da arapongagem. O sigilo foi quebrado em Cáceres e as escutas eram feitas online.