Cuiabá, 19/09/2026

Promotor rebate versão de viúva de Toni Flor e pede que vá a Júri popular

Outros quatro envolvidos também foram pronunciados pelo membro do Ministério Público

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Ana Flor, em audiência, disse que chegou a articular assassinato, mas que desistiu do crime

O promotor de Justiça Samuel Frungilo, da 21ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá, pronunciou os envolvidos no homicídio do empresário Toni Flor, entre eles a viúva dele, Ana Cláudia de Souza Oliveira Flor, e pediu que sejam julgados pelo Tribunal do Júri. Ana Cláudia, em audiência do último dia 24 de fevereiro, confessou que mandou matar o marido, mas disse que desistiu e não deu aval para a execução. O membro do Ministério Público, no entanto, afirmou que a alegação não é verdadeira.

O processo tramita na 12ª Vara Criminal de Cuiabá e tem como réus Ana Claudia de Souza Oliveira Flor, Igor Espinosa, Wellington Honorio Albino, Dieliton Mota da Silva e Ediane Aparecida da Cruz Silva, denunciados pelo homicídio de Toni da Silva Flor. Outro réu, Sandro Lucio dos Anjos da Cruz Silva foi denunciado pelo crime de falso testemunho.

O promotor afirmou que o acervo de provas apresentadas nos autos atesta que o crime de homicídio qualificado contra Toni Flor foi planejado e executado pelos denunciados. Também disse que a autoria e materialidade do crime de falso testemunho, de Sandro da Cruz, também ficaram comprovadas.

“A autoria delitiva, [...] é certa e inconteste, recaindo sobre as pessoas dos acusados, conforme as provas amealhadas aos autos, devidamente produzidas sob a luz dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, todas a indicar suficientemente a prática do crime de homicídio qualificado e falso testemunho”, disse.

O promotor citou que Igor Espinosa confessou o crime. O suspeito narrou que era amigo de Wellington, sendo que este estava ficando com uma mulher chamada Ediane e ela conhecia uma pessoa que, supostamente, estava apanhando do marido e por isso queria matá-lo. Igor disse que foi procurado por Ana Cláudia, que combinou a execução do maridon pelo valor de R$ 60 mil.

Igor também disse que não tinha arma para cometer o homicídio e por isso recorreu a Wellington, que emprestou uma arma de Dieliton Mota.

Riqueza de detalhes

O membro do MP também mencionou o depoimento de Wellington, que confirmou, com riqueza de detalhes, o elo entre os acusados. Ele disse que foi procurado por Ediane para cometer o crime, mas que decidiu oferecer o “serviço” a Igor, que aceitou. Também confirmou que Igor não tinha arma e por isso procurou Dieliton, que também teria sido informado que a arma seria utilizada em um homicídio, e que ele receberia um valor por emprestar a arma.

O promotor também lembrou a versão de Ana Cláudia, que confessou ter mandado matar seu marido, mas não teria dado aval para a execução e teria sido pega de surpresa com o homicídio. O membro do MP, porém, rebateu dizendo que Igor, em seu depoimento, relatou que foi Ana Cláudia quem o avisou quando Toni Flor saiu de casa.

“A verdade é que a versão apresentada por Ana Cláudia desafia a inteligência humana, pois com muito pouco esforço é possível perceber que não há verossimilhança na sua versão”, afirmou Samuel Frungilo.

O promotor também disse que, pelos elementos de prova juntados, é possível concluir que Sandro Lúcio dos Anjos Cruz e Ana Cláudia tiveram um relacionamento extraconjugal enquanto a mulher ainda estava com Toni Flor. Ediane, que é irmã de Sandro, teria confirmado a relação. O MP entendeu que ele cometeu falso testemunho. Com base nisso o membro do MP pediu que sejam julgados pelo Tribunal do Júri.

“Ante a comprovação insofismável da materialidade delitiva e elementos suficientes de autoria, faz-se necessário que os acusados sejam julgados pelo Egrégio Tribunal Popular do Júri”, disse o promotor.