Cuiabá, 02/11/2026

Promotora denuncia homem suspeito de arrancar coração da tia e nega insanidade

Lumar confessou à polícia que assassinou a tia Maria Zélia e deu detalhes sobre crime

Lumar Costa da Silva, o Cotonete, 28 anos, suspeito de matar e arrancar o coração da própria tia, Maria Zélia da Silva Cosmos, de 55 anos, foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de feminicídio. Entre as qualificações impostas a ele estão motivo fútil, emprego de meio cruel e utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima.

O crime aconteceu em 2 de julho em Sorriso e chocou o Estado. A denúncia foi oferecida pela promotora Maisa Fidelis Gonçalves Pyrâmides. "Agindo com manifesto animus necandi, por motivo fútil, com emprego de meio cruel, utilizando recurso que dificultou a defesa da vítima e por razões de condição do sexo feminino, através do uso de armas brancas (duas facas), matou a sua tia Maria Zélia", diz trecho da denúncia.

Ela ressalta que Lumar foi até a residência da tia e, após encontrar a vítima sentada em uma área, a chamou para conversar dentro da casa, momento em que matou a parente com inúmeros golpes de faca. "Ato contínuo, ainda com a vítima caída ao solo e viva, o indigitado, munido de uma faca grande de cor azul desferiu-lhe uma série de golpes", detalha.

Ainda segundo a denúncia, ele tentou abrir o tórax de Maria, e, sem sucesso, pegou uma outra faca e a dilacerou até retirar o coração. Depois, teria levado R$ 800, provenientes de alugueis que a tia havia recebido.

Constatações do MP

O MP destacou que a qualificadora do motivo fútil foi caracterizada pelo fato de que o acusado havia sido repreendido por sua tia dias antes. Ele dificultou a defesa da vítima, ao pegá-la de surpresa e de forma vunerável.

Ao falar sobre o método cruel, a promotora lembra que a vítima passou por um sofrimento descomunal físico e mental, ao ter seu coração arrancado. Para o MPE, o crime está inserido no âmbito da violência doméstica, uma vez que a tia havia lhe oferecido moradia e que o denunciado disse que a vítima se parecia com a sua genitora. Para a promotora, isso demonstra que o crime ocorreu por razões da condição do sexo feminino.

A promotora também se manifestou contra ao exame de sanidade mental. Para o órgão acusador, apesar da Defensoria Pública alegar que ele possui histórico de esquizofrenia na família, não há elementos concretos capazes de indicar "que o denunciado possui problemas mentais". Para a promotoria Lumar demonstrou ser uma pessoa sagaz e autodidata.

O caso

Lumar morava em de São Paulo e foi para Sorriso após brigar com a mãe. Ele foi acolhido pela tia que viera ser assassinada por ele. Ela o repreendeu por descobrir que ele era usuário de drogas, e pediu para ele sair de casa. Lumar foi morar em uma quitinete, mas voltou para assassiná-la. Além de matar a tia, ele roubou uma quantia de dinheiro que ela havia recebido de aluguel. Após o assassinato, ele levou o coração de Maria para sua filha. Lumar foi preso e transferido para a Penitenciária Osvaldo Florentino Leite, o Ferrugem, em Sinop, onde segue em cela separada. Em depoimento ele negou qualquer arrependimento quanto ao crime e disse que Maria merecia morrer.