Promotores e advogada de defesa batem boca durante oitiva de delegado em julgamento
Acusação contestou informação apresentada pela advogada Sarah Pironi, que faz a defesa enquanto ela interrogava o delegado Edison Pick
O clima esquentou entre a defesa e a acusação durante o julgamento de parte dos réus acusados pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, no Tribunal do Júri de Cuiabá, nesta terça-feira (29). A advogada Sarah Quinetti Pironi, que faz a defesa do réu Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, e os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva protagonizaram um bate-boca durante a oitiva do delegado Edison Ricardo Pick.
A confusão começou depois que a advogada questionou o delegado sobre uma prisão realizada no dia 11 de dezembro de 2023, seis dias após a morte de Zampieri. Na ocasião, um homem foi detido após balear acidentalmente a própria perna enquanto realizava compras no Shopping Três Américas, em Cuiabá.
Segundo Pironi, o homem teria sido preso por ter sido identificado como o possível executor do assassinato. Ela alegou que o ofício que encaminhou o homem para audiência de custódia relata que o suspeito possuía características físicas semelhantes às do atirador.
Josi Dias/TJMT/Montagem RDNews
Os promotores de Justiça os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva e a advogada Sarah Quinetti Pironi: bate-boca durante julgamento de réus pela morte de Roberto Zampieri
Enquanto formulava a pergunta, ela foi interrompida pelos promotores, que alegaram que a informação era falsa. Segundo a acusação, o homem não chegou a ser formalmente preso como suspeito pelo crime de homicídio, tendo sido apenas detido em flagrante por suspeita de porte irregular de arma de fogo.
“Deixe-me falar uma coisa para o senhor, me respeite. Porque é só eu pegar neste microfone que vocês dois começam a gritar comigo. Parem. O senhor está achando que eu sou o quê? Toda hora que a gente vai provar para os jurados alguma coisa que é verdade, os promotores começam a gritar, Excelência”, disparou a advogada durante a sessão.
“A gente perde o raciocínio. Todo mundo olhando, é um insulto. Isso não é a nossa Justiça. E o senhor fica fazendo essa cara de deboche, doutor, o dia inteiro, para mim. Que problema é esse comigo? Que saco!”, declarou a um dos promotores.
Josi Dias/TJMT
Os réus Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, réus pela morte do advogado Roberto Zampieri, durante júri nesta 3ª
Julgamento
Nesta terça-feira, o Conselho de Sentença julga Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, eles são os primeiros réus acusados pelo crime a encararem a Justiça.
Conforme a denúncia do Ministério Público, Etevaldo é apontado como financiador do crime; Hedilerson seria o contratante e dono da arma; e Antônio teria sido o executor do assassinato. A denúncia narra que Etevaldo teria pago R$ 40 mil para Antônio executar o crime. Antônio, por sua vez, teria sido auxiliado por Hedilerson, que teria emprestado sua arma.
Relembre o crime
No dia 5 de dezembro de 2023, o advogado Roberto Zampieri deixou o escritório em que trabalhava e, ao entrar no seu veículo, um Fiat Strada, foi surpreendido pelo assassino. Os agentes policiais informaram que foram disparados cerca de 10 tiros na direção do advogado.
Nas gravações, obtidas por meio de câmeras de segurança de empreendimentos da localidade, é possível ver que o assassino cometeu o crime com o rosto descoberto, usando uma caixa para abafar o som, e que ele fugiu a pé.
A execução de Zampieri desencadeou uma série de investigações contra um lobista e desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), acusados de negociarem a venda de sentenças com o advogado executado. O crime contra Zampieri não tem relação com o lobista ou desembargadores afastados, mas foi descoberto devido às análises do celular do advogado após a execução.