Riva aponta Romoaldo, Savi e mais 3 como beneficiados com R$ 3 milhões
O ex-deputado estadual José Riva (sem partido) entregou uma lista, escrita a próprio punho, com a relação dos beneficiários do suposto esquema de cobrança de propina, objeto de investigação da Operação Ventríloquo. Segundo a lista, o valor destinado aos deputados citados e outras pessoas no esquema foi de aproximadamente R$ 4,2 milhões, sendo que resta identificar os dentinatários de R$ 1,2 milhão. De acordo com o ex-deputado, o montante sempre era depositado em contas de outras pessoas antes de chegar às mãos dos parlamentares.
Mário Okamura/Rdnews
Ex-deputado José Riva inicia confissão e mostra lista com nome de beneficiados com o esquema
Segundo Riva, o deputado estadual Romoaldo Junior (PMDB) teria recebido mais de R$ 1,1 milhão. Já Mauro Savi (PSB) teria se beneficiado com uma soma de R$ 916,5 mil. A ex-deputada Luciane Bezerra (PSB) e o presidente da Assembleia Guilherme Maluf (PSDB) teriam obtido R$ 50 mil cada, e Gilmar Fabris (PSD) teria ficado com R$ 95 mil. Riva ainda não identificou os deputados que teriam sido beneficiados com os R$ 1,2 milhão restante da lista para completar R$ 4,2 milhões.
A lista foi entregue diretamente à juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, em audiência realizada na tarde dessa quinta (23), conforme anunciado pelo ex-parlamentar, que diz ter assumido compromisso com a verdade e prometeu confessar todos os crimes.
O documento é resultado de uma análise feita por Riva nos documentos entregues pelo advogado Joaquim Mielli, delator do esquema. O caso veio a tona em 1º de julho do ano passado, quando foi deflagrada a operação.
Conforme consta na lista, o montante relacionado a Romoaldo é resultado da soma de 15 depósitos com quantias que variaram de R$ 10 mil a R$ 169 mil. Com relação a Savi, a quantia foi resultado de 19 depósitos, entre R$ 6 mil e R$ 90 mil. Os valores vinculados a Luciane Gilmar e Maluf teriam sido entregues em um único depósito para cada. As transações foram realizadas nos meses de fevereiro, março e abril de 2014.
Ainda conforme a lista, a parte total destinada a Joaquim Fábio Mielli Camargo foi de mais de R$ 5,2 milhões, sendo que cerca de R$ 4 milhões teriam ficado com ele próprio e outros R$ 342 mil com o advogado Julio Cesar, restando R$ 797,1 mil a serem identificados.
Somados todos os valores imputados aos deputados e a Mielli e Julio Cesar, Riva contabiliza que o esquema envolveu a quantia de mais de R$ 9,6 milhões, restando identificar quem foram os destinatários de R$ 2,2 milhões.
Operação Ventríloquo
Advogado do HSBC (antigo Bamerindus Saúde), Joaquim recebeu cerca de R$ 9,6 milhões, fruto de um acordo extra-judicial, mas não teria repassado nada para o cliente. A ação começou a ser movida em 1997 contra a Assembleia, por conta de uma dívida contraída em 1995, relativa a empréstimos feitos por servidores do Parlamento. Diante disso, o Legislativo foi condenado a pagar a dívida em todas as instâncias, inclusive, no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Pressionado e ciente de que a situação era delicada, Joaquim firmou um acordo de colaboração e revelou que, na verdade, havia feito um acordo com Riva. O acordo previa que, após receber o montante da dívida, Mielli devolveria metade do valor para os parlamentares.