Cuiabá, 01/11/2026

Romoaldo admite uso de propina para pagar fornecedor da Assembleia

Eduarda Fernandes

Romoaldo Júnior concedeu entrevista à imprensa no Fórum, antes de ser ouvido em outro processo

O deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB), acusado pelo ex-presidente da Assembleia José Riva de ter recebido propina de R$ 1,1 milhão proveniente do esquema desmantelado pela Operação Ventríloquo, nega ter sido beneficiado pelo dinheiro de origem ilegal.

Entretanto, admite que os recursos foram usados para o pagamento de fornecedores do Legislativo, no período em que ocupou a presidência.  

“Tenho fornecedores que receberam desses recursos. Foram pagos, sim. Não fui citado pela Justiça, quando for, eu quero saber o que diz o processo. Não me envergonho do que fiz pela Assembleia”, declarou Romoaldo nesta terça (05), antes de depor em audiência de outro processo na 7ª Vara Criminal.  

 Entre as empresas que teriam recebido pagamentos com recursos provenientes de propina, Romoaldo cita a Rede Shop. O grupo fornecia combustível ao Poder Legislativo. “Sei que a Rede Shop, onde eu abastecia, está envolvida. Não teve vantagem pessoal para mim, mas para a estrutura da Casa. Se pagaram algo sem licitação, sem o ordenamento financeiro correto, está errado. Mas desvio não houve”. 

 Romoaldo, que substituiu Riva na presidência da Assembleia, devido ao afastamento determinado pelo Judiciário quando ainda tinha mandato, afirma que não guarda rancor por ter sido citado como beneficiário de propina. Atribui as declarações à situação adversa enfrentada pelo ex-deputado na prisão. 

 “Tudo que fiz como presidente,  faria novamente. Sou amigo pessoal do Riva há 20 anos. Quando a pessoa está presa,  é difícil e ela faz qualquer coisa para sair. Vou pagar a minha parte. Cada deputado que pagou fornecedores, deve se explicar”, pontua o peemedebista.  

 Além de Romoaldo, Riva também citou os deputados estaduais Mauro Savi (PR),  Guilherme Maluf (PSDB) e Gilmar Fabris (PSD) e a ex-deputada Luciane Bezerra (PSB) como parlamentares que indicaram empresas para receber recursos ilícitos. Todos negam a acusação.

 Sobre a lista de pagamentos feitos a deputados através de assessores apresentada por Riva, Romoaldo alega que isso era comum. “Muitos deputados nem contas têm porque estão no SPC, no Serasa e não têm  crédito. Por isso, usam conta da família, da esposa, do assessor.  

A Assemblia enterra paciente que vem do interior, patrocina futebol, festa de Santa Rita, Festa de São Benedito, paciente que vem morrendo. Hoje não se faz mais isso, o que é ruim. Não era desvio nem roubo", concluiu. 

Riva aponta Romoaldo, Savi e mais 3 como beneficiados com R$ 3 milhões