Um corrupto que mandei para o inferno, diz executor sobre Zampieri
Antônio Gomes da Silva é o primeiro dos três réus a darem depoimento no Tribunal do Júri, nesta quarta-feira (30)
Apontado como executor do advogado Roberto Zampieri, Antônio Gomes da Silva, réu no caso de homicídio, referiu-se à vítima como um "corrupto" que ele "mandou para o inferno" durante seu depoimento na manhã desta quarta-feira (30). De acordo com o réu, o suposto esquema de vendas de decisões judiciais atrelado a Zampieri foi um dos motivos que o fez "buscar justiça" com as próprias mãos.
Josi Dias/TJMT
Antônio Gomes da Silva, apontado como executor de Roberto Zampieri.
Durante sua fala, Antônio chegou a demonstrar certa emoção ao relatar que "percebeu a corrupção tomando conta do Brasil". Segundo o réu, ele estava disposto a morrer e afirmou que não está "pedindo arrego", alegando ainda saber que "precisa ser punido".
Em parte de seu depoimento, Antônio afirmou que, caso Zampieri "não fosse corrupto", ele estaria vivo e o próprio Antônio não estaria preso. O réu fez afirmações de que deseja que todos os corruptos "conheçam o descanso eterno" e confirmou teses trazidas durante o inquérito, como suas idas ao escritório do advogado antes do crime, fazendo uso de disfarces, sendo estes inspirados, segundo ele, na franquia cinematográfica de "O Poderoso Chefão".
O executor chegou a afirmar também que não é um "assassino frio e calculista", mas apenas um "cidadão comum com vergonha na cara" e disse ainda ser homem e sem medo de matar.
Antônio é o primeiro entre os três réus a prestar depoimento nesta manhã. Além dele, devem depor ainda hoje Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas.
Julgamento
O Tribunal do Júri teve início nessa terça-feira (29), com o julgamento de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Eles são os primeiros réus acusados pelo crime a encararem a Justiça.
No primeiro dia de julgamento, foram ouvidos o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Nilson Farias, o delegado da Polícia Federal, Marco Bontempo, e a testemunha, José Marcos Marini, amigo de Zampieri.
Conforme a denúncia do Ministério Público, Etevaldo é apontado como financiador do crime; Hedilerson seria o contratante e dono da arma; e Antônio teria sido o executor do assassinato. A denúncia narra que Etevaldo teria pago R$ 40 mil para Antônio executar o crime. Antônio, por sua vez, teria sido auxiliado por Hedilerson, que teria emprestado sua arma.
Reprodução
Relembre o crime
No dia 5 de dezembro de 2023, o advogado Roberto Zampieri deixou o escritório em que trabalhava e, ao entrar no seu veículo, um Fiat Strada, foi surpreendido pelo assassino. Os agentes policiais informaram que foram disparados cerca de 10 tiros na direção do advogado.
Nas gravações, obtidas por meio de câmeras de segurança de empreendimentos da localidade, é possível ver que o assassino cometeu o crime com o rosto descoberto, usando uma caixa para abafar o som, e que ele fugiu a pé.
A execução de Zampieri desencadeou uma série de investigações contra um lobista e desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), acusados de negociarem a venda de sentenças com o advogado executado. O crime contra Zampieri não tem relação com o lobista ou desembargadores afastados, mas foi descoberto devido às análises do celular do advogado após a execução.