Cuiabá, 15/10/2026

Vídeo mostra Teis descendo escadas para descartar cheques no lixo e o flagra da PF

Reprodução

Imagem da câmera de segurança do Edifício Maruanã mostra conselheiro afastado Waldir Teis sendo abordado por policial, após descartar cheques

Imagens do circuito interno de segurança do Edifício Maruanã, em Cuiabá, monstram o momento em que o conselheiro afastado do Tribunal de Contas (TCE-MT), Waldir Teis, é seguido por um policial federal e flagrado descartando mais de R$ 450 mil em folhas de cheque em uma lixeira. O vídeo foi enviado para o #rdnews na noite deste sábado (4).

Preso desde quarta (1º), Teis foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), por embaraço à investigação de infração penal, no âmbito da Operação Gerion (16ª fase da Operação Ararath), deflagrada dia 17 de junho.

O escritório de Teis foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão. Às 8h40, conforme as câmeras internas do prédio, o conselheiro sai da sala e começa a descer as escadarias em velocidade moderada. Atrás dele, um agente da PF o segue.

Teis desce alguns lances de escada e ao chegar em determinado andar tira rapidamente do bolso os talões de cheque. Enquanto ainda tentava jogar os papeis no lixo, o conselheiro afastado é abordado pelo policial, que tira fotos e apreende a lixeira com os talões dentro. Toda a ação demora mais de 3 minutos.

Segundo o MPF, só não houve prisão em flagrante porque o conselheiro tem imunidade que restringe prisão quando se tratar de crime afiançável, semelhante ao que acontece com magistrados.

Conforme a defesa do conselheiro, representada pelo advogado Diógenes Curado, Teis foi à sede da PF no dia seguinte da operação e prestou esclarecimentos. De acordo o defensor, os cheques em questão pertenciam a um genro do conselheiro. A ação desesperada teria ocorrido porque “a família vem sofrendo muito desde o afastamento” de Teis do cargo de conselheiro e ele teria ficado “nervoso e desesperado por conta disso”. Os cheques não teriam relação com quaisquer ilícitos.

O pedido de prisão preventiva teria sido feito pela PF e pelo MPF antes do depoimento, em que explicou a situação dos cheques, segundo a defesa de Teis. O advogado informou que deve entrar com um habeas corpus para tentar reverter a decisão do ministro do STJ Raul Araújo.

16ª fase da Ararath

Na Operação Gerion, o MPF e a PF buscaram reunir provas para comprovar suspeita de que conselheiros afastados do TCE-MT e pessoas próximas teriam comprado imóveis e empresas para ocultar o recebimento de propina do ex-governador Silval Barbosa (sem partido).

Na petição enviada ao STJ (que autorizou os mandados), a subprocuradora-geral da República Lindôra Araujo descreve a atuação dos próprios conselheiros e de pessoas ligadas a eles em um esquema complexo que inclui dezenas de operações comerciais financeiras. É o caso de compra de imóveis e empresas como um motel, que teria como sócio um dos conselheiros investigados, e um buffet. No documento, a autora destaca que, embora, parte dos investigados já tenha sido alvo de medidas cautelares, as novas buscas são necessárias para o esclarecimento completo do esquema criminoso.

A investigação envolve os cinco conselheiros afastados: José Carlos Novelli, Sérgio Ricardo, Antonio Joaquim, Valter Albano e Teis.