Acusado de incitar violência, gestor se cala; Leitão menciona vida de luxo
Alexssandro Loyola
Secretário da Contag, Aristides Veras dos Santos, permaneceu calado em CPI
Acusado de incitar a violência por declarações feitas no Palácio do Planalto, o secretário de Finanças e Administração da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras dos Santos, permaneceu calado durante a CPI da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na Câmara dos Deputados. O silêncio foi respaldado por habeas corpus do STF.
O secretário da Contag foi convocado porque, segundo deputados da CPI, estimulou a violência em cerimônia no Palácio do Planalto no último dia 1º, dizendo que era preciso invadir as propriedades e gabinetes de parlamentares favoráveis ao impeachment. “A bancada da bala no Congresso Nacional, vocês sabem que é forte, e a forma de enfrentar a bancada da bala contra o golpe é ocupar as propriedades deles ainda lá nas bases, lá no campo. E a Contag e os movimentos sociais do campo é que vão fazer isso”, disse ele na ocasião.
Para o relator da CPI, deputado Nilson Leitão (PSDB), a colocação dele foi intencional e com a conivência da presidente Dilma e de outros governistas. O parlamentar ressalta que, na verdade, o secretário não queria defender a reforma agrária, mas sim o governo do PT contra o impeachment. “Não pode um cidadão partidarizado, politizado, querer defender o impeachment e usar esse instrumento para atacar a sociedade brasileira. É uma questão de opinião, de democracia”.
As declarações do secretário, que foram mostradas em vídeo durante a CPI, também foram criticadas pelo deputado Adilton Sachetti (PSB). “O senhor disse que invadiria as nossas casas. Eu nunca tive, nunca fiz uso de uma arma, não faço parte de nenhuma entidade ligada ao setor da bala, mas eu sou proprietário rural, eu sou produtor rural. E a minha vida toda eu trabalhei a terra. Como é que da noite para o dia, porque eu tenho uma posição política, eu sou inquisitado a me colocar na defensiva por uma ameaça?”, afirmou o deputado.
Segundo Sachetti, os deputados da CPI acreditavam que o secretário da Contag iria se pronunciar para pedir desculpas ao país. “Achamos que o senhor diria que foi um momento de entusiasmo, e no momento do entusiasmo muitas vezes a gente erra na colocação das palavras e com isso nós poderíamos tirar esse clima tenso que nós vivemos. Pelo contrário, isso eleva mais ainda essa fervura”, completou.
Vida luxuosa
Leitão também apresentou informações que mostram a vida luxuosa do secretário, em contradição com a defesa que faz e o cargo que exerce em defesa dos trabalhadores pobres do campo.
“Os 10 milhões de associados da Contag são sabedores do seu endereço em um bairro nobre de Brasília, do apartamento avaliado em R$ 1,5 milhão? As despesas de viagens internacionais do senhor e de vossa família? Que seu carro Honda Civic vale hoje R$ 60 mil?”, indagou o deputado. Segundo o tucano, um dependente de Aristides estudou em um dos colégios mais caros de Brasília, em que a mensalidade custa R$ 2,7 mil.
Presente a reunião, o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) ressaltou que a Contag merece respeito e deixou claro que ninguém está criminalizando a instituição. Ele destacou que as questões a serem discutidas dizem respeito a assuntos agrários e ao que foi dito pelo secretário. “Aquele foi um episódio grotesco. O silêncio não torna ninguém imune à investigação. Meu propósito é buscar a verdade”, justificou.
Houve discussão durante a reunião da CPI e deputados do PT tentaram impedir o relator de fazer seus questionamentos. Nilson Leitão rebateu e declarou que antes mesmo de Aristides ter ido ao Planalto fazer seu discurso ele já vinha recebendo ameaças em suas redes sociais. O tucano disse ainda que o secretário da Contag perdeu a oportunidade de se defender, ao mesmo tempo em que ele mostrou a verdade sobre o militante da causa pró-Dilma.
Segundo o parlamentar, a vida que leva o secretário não é a mesma vida que vive o pequeno produtor brasileiro que depende de financiamentos, de ajuda de prefeitura, de estados e até mesmo da sociedade. “Ele não representa de fato os seus representados sindicalizados da Contag”.
A CPI que ouviu hoje o secretário da Contag é destinada a investigar a atuação da Funai e do Incra na demarcação de terras. (Com Assessoria)