Deputados articulam oposição com 16 nomes para dominar CPI dos Fundos veja
A chamada CPI dos Fundos, que será instalada com 16 assinaturas para investigar o possível desvio de finalidade dos recursos do Fundeb e do Fethab, deve alterar a correlação de forças na Assembleia. Os deputados estaduais descontentes com o governador Pedro Taques (PSDB) se articulam para dissolver os dois blocos parlamentares que estão em funcionamento e constituir outro com até 16 integrantes, o que configura ampla maioria no Legislativo.
Marcos Lopes
Deputados descontentes com governador se articulam para dissolver 2 blocos parlamentares em funcionamento
O presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (PSB), encaminhou ofício aos líderes dos blocos Integração e Independente solicitando a indicação de membros para a CPI dos Fundos ainda nesta quarta (17). No entanto, ambos se negaram a atender a solicitação por conta da articulação política em andamento.
O Bloco Integração, liderado por Dilmar Dal Bosco (DEM), agrega os 20 deputados estaduais que formavam a base governista. Já o Bloco Independente, sob a liderança de Janaina Riva (MDB), reúne os quatro oposicionistas.
Ocorre que o novo bloco que está sendo constituído garantirá ampla maioria no Legislativo, podendo indicar até três dos cinco membros da CPI dos Fundos e ficar com a presidência e relatoria. Além disso, poderá garantir maioria nas 13 comissões permanentes, o que inclui Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) e Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária (CFAEO).
O descontentamento com Taques aumentou após texto que viralizou no aplicativo de mensagens instantâneas Whats App expondo os processos e acusações existentes contra os deputados estaduais Oscar Bezerra (PSB), Romoaldo Júnior (MDB), Mauro Savi (PSB), Zé Domingos Fraga (PSD), Silvano Amaral (MDB), Wancley Carvalho (PV), Valdir Barranco (PT), Allan Kardec (PT), Guilherme Maluf (PSDB) e Baiano Filho (PSDB). Dilmar e Janaina, que são líderes dos blocos, também são atacados no viral.
O texto é assinado por um líder comunitário cuiabano. Acontece que os parlamentares atribuem a divulgação ao Palácio Paiaguás e consideram como tentativa de desmoralizá-los para enfraquecer a CPI dos Fundos.
A situação se agravou com a orientação do Executivo para vetar Oscar Bezerra, um dos proponentes da CPI dos Fundos, da presidência. Com isso, o parlamentar que era contabilizado como governista, passou a ajudar Dilmar e Janaina nas articulações para constituir o novo bloco.
Questionado sobre a CPI dos Fundos, Taques afirma que cabe ao Legislativo o papel de fiscalizar. “Quem não fez nada de errado, não teme nada. Agora, os que fizeram esses temem”, declarou.
Já o chefe da Casa Civil, Max Russi (PSB), também diz que o Executivo não teme ser investigado. “A criação (da CPI) é boa para a oposição. No entanto, estamos com a consciência tranquila. Nosso líder e outros deputados da base foram liberados a assinar, sem problema algum”, garante.
Assinaturas
Além dos 12 parlamentares atacados através do viral, assinaram o requerimento para instalação da CPI dos Fundos Zeca Viana (PDT), Daltinho (Solidariedade), Adriano Silva (PSB) e Wagner Ramos (PSD). Botelho e os governistas Leonardo Albuquerque (PSD), Pedro Satélite (PSD), Nininho (PSD), Sebastião Rezende (PSC), Jajah Neves (PSDB) e Saturnino Masson (PSDB) se recusaram a assinar. Gilmar Fabris (PSD) está licenciado.
Mario Okamura
Ofício do presidente da AL a líderes dos blocos Integração e Independente, Janaina Riva e Dilmar Dal Bosco, pede indicação de membros à CPI dos Fundos