Cuiabá, 21/09/2026

Júlio vê risco eleitoral para Mauro Mendes em embate com servidores públicos

Deputado avalia que embate sobre RGA pode gerar oposição de até 500 mil eleitores ligados aos servidores

O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), um dos aliados do governador Mauro Mendes (União Brasil), acredita que ele pode sofrer prejuízo eleitoral caso mantenha um tensionamento com os servidores públicos do Estado, sejam ativos, inativos ou pensionistas, envolvendo a Revisão Geral Anual (RGA). Os servidores reclamam de uma defasagem de quase 20%, enquanto o Governo do Estado propõe apenas 4,26%.

Na avaliação de Júlio Campos, político experiente, o projeto de Mauro Mendes ao Senado pode ganhar forte oposição dos servidores, situação considerada desnecessária, uma vez que o Estado possui recursos em caixa para socorrer o funcionalismo. O governador alega que não vai ceder nenhum milímetro. Assim, o parlamentar considerou a fala dura para quem pretende ser candidato nas eleições deste ano.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

“Um ex-governador de Mato Grosso tem uma frase bastante histórica, né? O funcionário público não elege ninguém, mas derrota aqueles que eles desejam. Então, é um perigo, né? São mais de 100 mil servidores públicos, ativos, inativos e pensionistas, que representam um potencial de 400 a 500 mil eleitores que dependem desse cidadão, né? É o pai, é a mãe, é o filho, é o irmão, é o cunhado”, comentou.

Júlio Campos ainda afirmou que, se estivesse na posição de Mauro Mendes, certamente buscaria fazer um cronograma para reduzir o déficit apontado pelos servidores. A proposta de 4,26% estava prevista para entrar em votação nesta quarta-feira (14); contudo, o Executivo não encaminhou o projeto, diante da pressão dos servidores e da mobilização de parte dos deputados para incluir uma emenda adicional de 4,92% sobre a RGA.

Nesse sentido, Júlio Campos ressaltou que, até o final de 2024, o Estado possui R$ 11 bilhões em caixa, ou seja, ampla margem para atender os servidores. Segundo as projeções do Estado, apenas com os 4,26%, o impacto será de R$ 1 bilhão a mais na folha de pagamento. Ele também reconheceu que Mauro Mendes tem adotado postura de cautela diante dos impactos que a Reforma Tributária pode causar no Estado; mesmo assim, enxerga viabilidade para um adicional.

“Em 2024, nós fechamos com R$ 11 bilhões em caixa, sobra de caixa. Em 2025, não temos a certeza de quantos bilhões temos aplicados hoje. Então, não há por que ficar essa guerra, essa dificuldade de darmos uma compensação salarial melhor para os servidores de Mato Grosso”, concluiu.