No Colégio de Líderes, Maluf é escolhido para cadeira no TCE; nome vai ao plenário
Maurício Barbant
Guilherme Maluf durante discurso de 10 minutos no Colégio de Líderes, onde recebeu 11 votos, um a mais do que o colega deputado Max Russi
Após reunião de quase 2 horas, o Colégio de Líderes da Assembleia escolheu o deputado Guilherme Maluf (PSDB) para ser indicado para a vaga de conselheiro no Tribunal de Contas (TCE-MT). Pelo rito definido pela Mesa Diretora, a próxima etapa é a arguição do escolhido pelos deputados em plenário, na sessão da próxima terça (26). Foram 11 votos favoráveis, em votação secreta numa urna.
A reunião conduzida pelo presidente Eduardo Botelho (DEM) contou com a participação de todos os deputados. Os seis postulantes pela indicação tiveram 10 minutos para se apresentar e dizer suas pretensões para o cargo vitalício. O primeiro a fazer uso de seu tempo foi o deputado Sebastião Rezende (PSC), seguido pelo contador Luiz Mário de Barros, Maluf, o juiz Eduardo Calmon, Max Russi (PSB) e Dilmar Dal Bosco (DEM). Sebastião e Dilmar, visivelmente contrariados, abriram mão da candidatura.
O tucano venceu por apenas um voto de diferença. Max, que foi indicado por um grupo formado por 11 deputados, recebeu 10 votos. Calmon recebeu dois e um parlamentar deixou a cédula em branco. Com a vitória apertada, Maluf ainda não tem vida fácil, já que precisa de 13 votos no plenário para ser o indicado do Legislativo. O grupo que apoiou o nome de Max promete trabalhar para vetar o tucano e voltar o processo de escolha para o início.
Maluf tenta ocupar a cadeira do conselheiro aposentado Humberto Bosaipo, que deixou o TCE-MT em dezembro de 2014. Desde então, por questionamentos as regras de indicação da Assembleia, a vaga estava emperrada. No fim de janeiro, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou os deputados a escolherem o novo membro da corte de contas. Com tal decisão, os bastidores políticos de Mato Grosso fervilharam.
Logo que a disputa ao cargo foi autorizada pela Justiça, Maluf passou a ser considerado um dos nomes mais fortes para a cadeira. No entanto, começou a enfrentar resistência interna ao tornar-se réu, na semana passada, por corrupção passiva, organização criminosa e embaraço a investigação no âmbito da Operação Rêmora – que apura fraudes na Secretaria Estadual de Educação.
O prazo para a indicação dos concorrentes terminou na noite desta terça (19). Na tarde de hoje, os protocolos de indicação foram analisados pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), presidida provisoriamente por Paulo Araújo (PP). Relatório do deputado Wilson Santos (PSDB) chegou a vetar os nomes de Max, Sebastião, Dilmar e Luiz Mário. Após muita confusão, tal relatório foi derrubado e substituído pelo parecer de Sílvio Fávero (PSL), que manteve todos os seis concorrentes no páreo.
Além do salário de R$ 33,7 mil, os conselheiros têm direito a R$ 4,3 mil mensais de auxílio-moradia, R$ 503,03 de auxílio-alimentação, R$ 19,2 mil de verba indenizatória e ainda R$ 28,9 a cada semestre para aquisição de obras técnicas. A verba indenizatória pode ser utilizada para diárias de viagens, passagens, veículos, combustíveis e suprimentos de fundos.
Perfil
Maluf é cuiabano, pai de três filhos e médico. Em 2004, depois de trabalhar como médico cirurgião nos Prontos-Socorros de Cuiabá e Várzea Grande, decidiu entrar na vida pública. Disputou e foi eleito um dos vereadores mais votados da Capital. Dois anos depois, candidatou-se e foi eleito deputado estadual. Em 2010, conseguiu se reeleger. Em 2014, o deputado foi reeleito com mais de 24 mil votos para o seu terceiro mandato e com o apoio de 23 dos 24 deputados, foi eleito presidente da Assembleia, função que ocupou durante o biênio 2015/2016.
Durante sua fala no Colégio de Líderes, destacou sua trajetória e as ações como presidente do Legislativo. Sobre a vaga de conselheiro, disse que Mato Grosso tem um TCE-MT "muito punitivo, distante da realidade dos municípios, que penam com multas sem conseguir demonstrar gestão". Ressaltou ainda que os membros da corte de contas devem andar pelo Estado, para não julgar contas sem desconhecer realidades das prefeituras.
"Tenho a proposta de de tornar um TCE mais político e eficiente. Poder colaborar com o desenvolvimento do nosso Estado. Aproximar esse tribunal desse Parlamento", afirmou.