Cuiabá, 06/10/2026

Alcolumbre articula votos para aprovar fim da escala 6 x 1: pauta polêmica

Aliados do senador preveem apoio de parlamentares da direita à proposta defendida por Lula

Aliados do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), avaliam que há votos suficientes no Senado para aprovar o fim da escala 6×1. Segundo informações da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, a expectativa é contar também com o apoio de parlamentares da direita, como o senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos).

Breno Esak/Metrópoles

 

A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 2 de setembro, por 23 votos a quatro. Votaram contra Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS), Jaime Bagattoli (PL-RO) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Marinho é coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro, enquanto Tereza Cristina responde pela área de agricultura.

De acordo com a jornalista, Alcolumbre deve manter o compromisso firmado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de pautar a medida. A articulação ocorreu em meio ao apoio do petista aos candidatos do senador no Amapá, que foram derrotados nas eleições.

Segundo a publicação, Lula aposta na aprovação da proposta como uma forma de ampliar o contraste com Flávio Bolsonaro, contrário à medida. Na campanha do candidato do PL, porém, a avaliação é que a votação não deve alterar o cenário da disputa presidencial.

O argumento dos aliados de Flávio é que ele defende a flexibilização das regras, com a definição da jornada por negociação entre empregadores e trabalhadores. A campanha também considera que a expectativa pelo fim da escala 6×1 já está incorporada ao debate eleitoral, o que limitaria eventuais ganhos políticos para Lula.

Ainda conforme Andreza Matais, Flávio pretende explorar eleitoralmente a aliança entre Lula e Alcolumbre, especialmente a atuação do presidente do Congresso em relação aos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que não avançaram.

Uma eventual vitória de Flávio também deve influenciar a disputa pela presidência do Senado. Segundo a apuração, Rogério Marinho é apontado como o nome preferido do presidenciável para o cargo, o que reduziria as perspectivas de permanência de Alcolumbre.

A reportagem também cita episódios de divergência entre Alcolumbre e os governos Lula e Jair Bolsonaro. Entre eles estão a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF e a espera de quatro meses pela sabatina de André Mendonça, indicado por Bolsonaro.