Cuiabá, 26/09/2026

Conselho Superior do MPF tem 4 a 0 para manter Gonet no Caso Master

Sobre a apuração preliminar, o placar é de 2 a 2 pelo arquivamento. Celso acompanhou o relator, enquanto Janice votou pela abertura

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) analisa, nesta sexta-feira (25/9), uma notícia de fato sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em processos relacionados ao Banco Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

Breno Esak/Metrópoles

 

O placar, até o momento, é de 4 a 0 contra o afastamento de Gonet desses processos. Votaram nesse sentido os subprocuradores-gerais Francisco Sanseverino, Celso de Albuquerque Silva, Janice Agostinho Barreto Ascari e Samantha Chantal Dobrowolski.

Quanto à apuração preliminar, o placar está em 2 a 2. Sanseverino e Celso votaram pelo arquivamento do procedimento, enquanto Janice e Samantha defenderam a abertura da apuração.

Sessão

O subprocurador-geral da República Celso de Albuquerque Silva votou pelo arquivamento do procedimento que analisa a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no Caso Master.

Celso acompanhou o relator, subprocurador-geral Francisco Sanseverino, que votou pelo arquivamento por entender que não há elementos para abrir uma investigação nem para afastar Gonet dos processos.

O voto de Celso ocorreu após a subprocuradora-geral Janice Agostinho Barreto Ascari defender a abertura de uma apuração preliminar sobre a atuação de Gonet nos processos do Master que tramitam no STF. Entretanto, ela também votou contra o afastamento do PGR.

Em seu voto, Celso rejeitou a alegação de amizade íntima entre Gonet e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo ele, a ausência de contato registrado pela polícia e a foto dos dois não sustentam essa alegação.

“A total ausência de contato registrado, apontado pela própria polícia, descaracteriza a amizade íntima imputada pelos noticiantes. É até contraditório, né? Sou amigo íntimo, mas preciso pedir para outra pessoa ligar? Não me parece crível”, afirmou o subprocurador.

Celso também observou que a degustação de uísque em que Gonet aparece à mesa com Vorcaro teria sido oferecida aos participantes de um fórum em 2024, quando, segundo ele, o banqueiro ainda não era investigado.

Assim, o subprocurador acompanhou o relator pelo arquivamento do procedimento e contra a abertura de investigação e o afastamento de Gonet.

Divergência

Janice divergiu do relator, subprocurador-geral Francisco Sanseverino, que votou contra a apuração. Os dois, porém, posicionaram-se contra o afastamento de Gonet dos processos.

Em seu voto, Janice defendeu cautela na análise das mensagens em que o nome de Gonet é citado.

“A simples referência ao nome do PGR em mensagens atribuídas a Daniel Bueno Vorcaro e a Ciro Soares não permite concluir de pronto isolamento que o representado tinha conhecimento, que aderiu a um pedido de intervenção, que praticou algum ato funcional em benefício de Daniel Vorcaro. Por outro lado, as explicações apresentadas pelo PGR também ser cotejadas com as fontes originais disponíveis”, disse.

Janice salientou ainda que não cabe ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) apurar possíveis infrações éticas atribuídas a Gonet.

A subprocuradora-geral citou uma fala do relator do Caso Master no STF, ministro André Mendonça, no plenário da Corte, em que ele disse reconhecer que não há crime atribuído ao procurador-geral da República.

Janice ponderou ainda que não há elementos para abrir uma investigação criminal, tampouco para arquivar o caso.