Após MPF arquivar inquérito, conselheiro diz ter vivido monstruosa injustiça
Antônio Joaquim era investigado por suposta lavagem de dinheiro na venda de fazenda, mas MPF pediu arquivamento do caso em relação a ele
Patrícia Sanches
O conselheiro do TCE-MT Antônio Joaquim comemorou o pedido de arquivamento de inquérito, que o investigava por lavagem de dinheiro na transação de venda de fazenda com o empresário Wanderley da Trimec, que tinha o ex-governador Silval Barbosa como sócio oculto.
Em entrevista à imprensa, o conselheiro diz, durante estes longos anos de investigação (quase 5), viveu um tsunami e um abuso de autoridade. Apesar disso, comemora que, enfim, Ministério Público Federal teve coragem de pedir o arquivamento do caso em 28 de abril. “Mudou minha vida, me impediram de ser candidato (ao governo), me transformaram em um bandido. Eu fui julgado e condenado centenas de vezes por colegas dos senhores”, disse, apontando sobre as manchetes dos jornais na época. “É uma coisa de louco”, disparou emocionado.
Joaquim chorou por duas vezes ao comemorar o posicionamento do MPF e ressaltou ter vivido "uma monstruosa injustiça, perto de uma barbárie". Agora, para formalizar o arquivamento, o juiz da 5ª Vara Federal Jeferson Scheiner ainda precisa se pronunciar sobre o pedido, ele deve atender a solicitação do órgão investigador.
Antônio Joaquim explica que o MPF pediu indiciamento de Silval e de Wanderley no inquérito, mas entendeu, após ampla investigação, que ele não tinha conhecimento do fato de Silval ser sócio oculto do empresário. Nesta linha, assinala que, na época do negócio, Wanderley era dono de uma das maiores empresas do Estado e que Silval também era respeitado e que não havia nada contra ele.
"Não tinha como eu saber", diz, ressaltando que fez apenas uma transação particular, como tantas outras, declarada no imposto de renda, e que esse caso teve esse tratamento "desproporcional", na sua opinião, por causa de questões eleitorais, visto que ele anunciou que seria candidato ao governo, o que desagradou o então governador Pedro Taques - que iria tentar à reeleição. "Tenho uma vida lá atrás, não sou um irresponsável, não sou um pau d' água. Tenho minha vida, minha história, minhas origens, não fiz meu patrimônio em cima de cargo público".
Ao divulgar o pedido de arquivamento do MPF, Antônio Joaquim elogiou a postura do órgão de investigação, mas fez questão de ressaltar que, para ele, o seu afastamento e a dureza do inquérito ocorreu por conta de um coluio entre o ex-governador Taques e do ex-procurador geral da República Rodrigo Janot. O caso inicialmente tramitou no STF e depois foi remetido à Justiça Federal.
“É um alívio, mas por outro lado, eu tenho que fazer uma referência de elogio ao Ministério Público, a instituição. Apesar do erro, eu diria um erro irresponsável e criminoso de me indiciar sem motivo, sem nenhum fato que pudesse ensejar o meu afastamento, poderia até fazer um inquérito, mas não me afastar, sem indício nenhum, sem checar nada. Estava atendendo a um desejo de seu colega ex-procurador Pedro Taques”, aponta.
E, depois, completa: "se sentiu no direito de virar Deus: 'vou mudar a vida desse cara' e mudou, impediu a minha candidatura e acompanhado dessa alma maldosa, todos nós sabemos quem é Pedro Taques, nesse curto período da vida pública dele, o tanto que ele é mal" - assista.
O conselheiro revela que, embora o MPF tenha pedido o arquivamento em relação à lavagem de dinheiro, solicitou a abertura de inquérito por sonegação. Ele adianta que isso será questionado por sua defesa visto que ele já reconheceu a diferença do valor apontado na escritura, de 6,7 milhões, e o que entrou na sua conta, 9,5 milhões. "Estamos na fase de acordo junto à Receita Federal", adianta.
Sobre o outro inquérito no STJ, que chegou a culminar no afastamento dele e dos outros membros do Pleno da Corte de Contas, Antônio Joaquim diz ter certeza que, em relação a ele, será arquivado porque não há um fio de cabelo contra ele. Ele lamenta a demora no desfecho da investigação que já se arrasta por quase 5 anos sem que tenha sido proposta nenhuma denúncia contra os conselheiros. Neste inquérito, conslheiros no TCE são alvos de apuração de fatos narrados na delação do ex-governador Silval Barbosa relativo a supostos atos de corrupção. Todos negam e garantem ser inocentes.