Cuiabá, 03/11/2026

Operação da PF provoca mudanças na cúpula do TCE e leva Antônio Joaquim à vice-presidência

Reorganização ocorre após prisão de Sérgio Ricardo e afastamento de outros três conselheiros

O conselheiro Antônio Joaquim assumiu a vice-presidência do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), enquanto Gonçalo Domingos de Campos Neto passou a ocupar o cargo de corregedor-geral. As mudanças na Mesa Diretora ocorrem após a prisão preventiva do então presidente da Corte, Sérgio Ricardo, e o afastamento cautelar de outros três conselheiros, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Por conta das alterações, o conselheiro Waldir Júlio Teis tomou posse como presidente TCE-MT nesta terça-feira (3)

Conforme apurado pelo #rdnews, Antônio Joaquim ocupava anteriormente a função de ouvidor-geral e passou para a vice-presidência. A mudança também considera o fato de que ele é o decano da Corte de Contas. Já Campos Neto, que não ocupava cargo na Mesa Diretora, assumiu a Corregedoria-Geral, anteriormente exercida por Guilherme Maluf, um dos conselheiros afastados pela Justiça.

Com a prisão de Sérgio Ricardo, Teis, então vice-presidente, assumiu o comando do Tribunal. Ele já determinou a convocação de auditores substitutos de conselheiros para ocupar temporariamente as funções dos afastados José Carlos Novelli, Guilherme Maluf e Alisson Alencar.

Foram convocados Luiz Henrique Lima, Luiz Carlos de Azevedo Costa Pereira e Isaías Lopes da Cunha. Eles ficarão responsáveis, respectivamente, pelas relatorias dos processos que estavam sob responsabilidade de Novelli, Maluf e Alisson.

Teis se reuniu nesta segunda-feira (2) com chefes de gabinetes e representantes das áreas técnicas para assegurar a continuidade e a normalidade dos trabalhos da instituição. 

 

 

Tony Ribeiro/TCE-MT

Nova composição do TCE-MT

Investigação

A reconfiguração da cúpula ocorre em meio à crise institucional provocada pela Operação Tomada de Contas, deflagrada em 29 de outubro. A investigação apura possíveis irregularidades na gestão de contratos administrativos e no pagamento de servidores do TCE-MT. Entre as suspeitas levantadas pela PF está a utilização da suspensão de contratos como mecanismo de pressão sobre fornecedores, além de pagamentos diferenciados, movimentações financeiras atípicas e saques recorrentes em dinheiro.

Nesta terça-feira (3), vieram a público informações sobre um levantamento da Polícia Federal que aponta R$ 48,5 milhões em pagamentos supostamente realizados fora da folha oficial aos sete conselheiros do Tribunal, entre janeiro e outubro de 2025. No mesmo período, o Portal da Transparência registrou aproximadamente R$ 2,2 milhões em remunerações aos integrantes da Corte. Segundo a investigação, os repasses teriam ocorrido por meio de ordens bancárias avulsas e do canal utilizado para pagamentos a fornecedores. As suspeitas ainda são objeto de apuração.