Presidente do TCE descarta VLT de Emanuel e crava BRT em Cuiabá
Sérgio Ricardo vê apenas discurso político e zero chances do VLT Cuiabano sair do papel
O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, minimizou a tentativa do prefeito de Emanuel Pinheiro (MDB) de articular a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), inclusive com tentativa de mobilização em Brasília.
Neste semana, Emanuel compartilhou um vídeo nas redes sociais, onde o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, promete investir em mobilidade da cidade - em meio ao discurso de gestor de tentar emplacar o VLT Cuiabano. No entanto, para Sérgio, tudo não passa de discurso político e não há nenhuma garantia de implantação do modal sobre trihos.
"Vi a notícia e o vídeo. O que o ministro fez ali foi uma fala política. Não disse o dia que vai deliberar e nem em qual conta vai depositar, não assinou contrato. Eu vi uma fala política", iniciou ele, em entrevista à imprensa na quinta-feira (11).
Thaís Fávaro
Emanuel trava um verdadeira batalha com o Governo do Estado, que conseguiu a autorização para tocar as obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), substituindo o VLT, modal projetado para a Copa do Mundo de 2014, quando Cuiabá foi uma das subsedes. Segundo Sérgio, a articulação não tem efeito prático, já que o Tribunal de Contas tem uma decisão que definiu a implementação do BRT, ligando Cuiabá a Várzea Grande.
"Não impede a continuidade [do BRT], o TCE já tem uma decisão. A decisão do TCE vai ser mantida, há uma decisão de um conselheiro, e eu como presidente do TCE, vou manter a decisão. A decisão é o BRT, é essa a obra que Cuiabá vai ter", salientou.
Ele endossou dizendo que um dos argumentos para o BRT é o fato das obras já terem sido iniciadas em Várzea Grande, com a retirada dos trilhos do VLT e concretagem para o novo modal: "Por isso defendemos que ele avance para Cuiabá".
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Modal politizado
O presidente da Corte de Contas avaliou ainda que a eterna rixa política entre Emanuel Pinheiro e Mauro Mendes foi um dos principais fatores para o não prosseguimento das obras do VLT. Ele pontuou ainda que o ex-governador Pedro Taques, também teve a oportunidade de dar andamento nas obras, no entanto, errou ao paralisar os canteiros - mais um dos elementos que contribuíram para a sua não reeleição em 2018.
Neste sentindo, o conselheiro declarou que a política da "descontinuidade" não pode ser levada para a vida pública, quando os agentes representam a população, ou seja, a coletividade - deixando de lado eventuais rusgas pessoais.
"Os processos não podem sofrer descontinuidade quando se trata de interesse público, é ruim. [Pedro Taques] errou, tanto errou que não conseguiu se reeleger. O processo é assim. Não conseguiu. Lamentavelmente não conseguiu fazer uma política que agradou ao eleitor e não se reelegeu", disparou.