Cuiabá, 30/10/2026

Advogada, jogador e Gordão eram peças-chave de W.T. fora da prisão, diz delegado

O trio atuava em funções estratégicas para ocultar patrimônio, lavar dinheiro e cumprir ordens do tesoureiro do CV, que continuava comandando o esquema de dentro da PCE

A advogada Dayane Karol Moreira, o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como "Alex Soldado", e Emerson Ferreira Lima, o "Gordão", desempenhavam papéis centrais na engrenagem financeira comandada por Paulo Witer Farias Paelo, o W.T., apontado como tesoureiro do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso. A afirmação é do delegado Victor Hugo, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), responsável pela Operação Replay, nesta quinta-feira (30).

Durante entrevista coletiva, o delegado detalhou as funções atribuídas a cada um dos investigados e afirmou que eles integravam a estrutura responsável por manter o esquema de lavagem de dinheiro da facção, mesmo com W.T. preso na Penitenciária Central do Estado (PCE).

João Aguiar/Instagram

O jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, o delegado Victor Hugo e a advogada Dayane Karol Moreira

Segundo Victor Hugo, a advogada atuava na regularização documental de imóveis de luxo do município de Itapema (SC), adquiridos em nome de “laranjas” para ocultar a origem ilícita dos bens.

"A advogada presa em Cuiabá atuou como procuradora de imóveis em nomes de pessoas interpostas na cidade de Itapema. Ela exerceu atividade para ocultação e dissimulação do patrimônio pertencente a esse faccionado, a esse tesoureiro da organização criminosa [W.T.]", afirmou.

Já Alex Soldado, conforme o delegado, era um dos principais homens de confiança de W.T. fora da prisão e já havia sido alvo de outras operações da GCCO.

"O jogador de futebol do time desse faccionado [Amigos do W.T.] é um dos braços direitos dele aqui fora do presídio. Já foi preso diversas vezes. Atuava na lavagem de dinheiro e na prática de atos em favor da organização criminosa", disse.

Victor Hugo ressaltou ainda que Alex é um alvo recorrente das investigações policiais e voltou a atuar para a facção criminosa após ser colocado em liberdade, “com atuação muito forte ao lado do braço direito do líder dessa facção", explicou.

O terceiro investigado, Emerson Ferreira Lima, conhecido como "Gordão", também ocupava posição estratégica dentro da organização criminosa.

"Era o braço direito desse tesoureiro da facção criminosa [W.T.]. É a pessoa a quem ele se reportava diretamente para a prática ilícita da lavagem de dinheiro em favor da organização criminosa", explicou o delegado.

Comando mantido de dentro da prisão

Conforme publicado pelo #rdnews, de acordo com a investigação, W.T. continuou exercendo influência sobre a facção mesmo preso. Segundo Victor Hugo, o líder reduziu sua capacidade operacional ao ser preso, mas jamais deixou de comandar o grupo.

"Pelos dados telemáticos, conseguimos evidenciar que ele continuou essa prática e essa conduta de lavagem de dinheiro e de outros crimes", afirmou.

PJC

Operação Replay

Durante a deflagração da Operação Replay foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva contra integrantes do Comando Vermelho, investigados por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A ofensiva também inclui mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos e bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 32,6 milhões, concentrando as ações em Cuiabá e Várzea Grande, além de municípios de Santa Catarina e do Rio de Janeiro.