A advogada Dayane Karol Moreira e o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como "Alex Soldado", estão entre os 10 suspeitos presos preventivamente, na manhã desta quinta-feira (30), durante a Operação Replay, deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Eles são investigados pelo possível elo em um esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho (CV), comandado por Paulo Witer Farias Paelo, o W.T..
Alex Soldado já havia sido preso em abril de 2024 junto de W.T., durante a Operação Apito Final, suspeito de participação em um grande esquema de lavagem de dinheiro, que chegou a movimentar R$ 65,9 milhões oriundos do Comando Vermelho.
Ele foi solto em agosto daquele ano, junto de outras seis pessoas. À época, o juiz João Filho de Almeida Portela, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá entendeu que o jogador de futebol amador era réu primário e não possuía condenação criminal.
Nesta quinta, Paulo Witer também teve uma nova prisão preventiva decretada. Conforme já publicado pelo
, mesmo preso na ala de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado (PCE), W.T. continuava exercendo funções de comando financeiro e disciplinar no Comando Vermelho.
Operação Replay
De acordo com a Polícia Civil, a Operação Replay é um desdobramento de uma investigação continuada que já havia resultado nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. A nova fase foi estruturada a partir da análise dados telemáticos.
O material deu origem a relatórios técnicos que revelaram a continuidade da atuação da estrutura criminosa, com divisão de tarefas, núcleo financeiro próprio, operadores externos, utilização de contas de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível.
A análise desses dados constatou que W.T., mesmo na PCE, continuava exercendo funções de comando financeiro e disciplinar. As comunicações analisadas registraram cobranças de fechamentos, determinações de recolhimento, direcionamento de valores, correção de planilhas e orientação de operadores que atuavam em liberdade.
A investigação identificou que o mesmo chip atribuído à Paulo Witer foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. A alternância dos terminais, segundo a PJC, indica método de adaptação destinado a contornar apreensões e controles penitenciários, permitindo a continuidade das comunicações clandestinas.
Em uma das planilhas encontradas, havia referência a R$ 14.093.000,00 como valor total congelado e a R$ 1.231.000,00 como total relacionado ao período analisado. O montante de R$ 15.324.000,00 serviu de parâmetro para o pedido de bloqueio financeiro. Os registros também continham referências a prestações de contas, movimentação de grandes quantidades de entorpecentes e distribuição de recursos entre diferentes núcleos.
Bens bloqueados
Além das prisões preventivas, diversos imóveis e veículos de luxo foram bloqueados pela Justiça. Entre os bens estão apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos.
Separadamente, foi pleiteado bloqueio financeiro de até R$ 15.324.000,00, valor relacionado à contabilidade encontrada durante a investigação. Esses montantes não devem ser somados como se fossem recuperação efetiva, pois representam categorias distintas de constrição patrimonial.
Somente os imóveis foram estimados em cerca de R$ 16,68 milhões. A investigação relacionou um apartamento de luxo em Itapema, estimado em R$ 3 milhões; um apartamento de alto padrão em Balneário Camboriú, estimado em R$ 6 milhões; uma casa em condomínio fechado na região de Camboriú, estimada em R$ 6 milhões; uma residência de alto padrão em Cuiabá, estimada em R$ 1,5 milhão; e três terrenos avaliados, em conjunto, em aproximadamente R$ 180 mil.
Os veículos submetidos às medidas foram estimados em aproximadamente R$ 607,6 mil, incluindo automóveis e motocicleta registrados em nome de investigados ou terceiros ligados ao núcleo.
A estratégia de descapitalização busca impedir que bens adquiridos com recursos de origem ilícita sejam vendidos, transferidos, ocultados ou reutilizados para financiar a reorganização da estrutura.
Nome da Operação
O nome Replay faz referência à repetição das condutas e à capacidade de reorganização identificada após as operações anteriores. A nova fase busca interromper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos, neutralizar o comando exercido de dentro do cárcere e retirar da estrutura os recursos financeiros e patrimoniais utilizados para manter suas atividades.
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Cuiabano 30/07/2026
Cadeia neles sem dó.
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