Autuada por espancar enteado de 3 anos até a morte, mulher é também exonerada
Fabíola Bracelar, que atuava na Secretaria de Educação, confessou crime e perdeu o cargo
Autuada pela Polícia Civil por tortura qualificada que resultou na morte do enteado, Davi Gustavo Marques de Souza, de 3 anos, Fabíola Pinheiro Bracelar, de 22 anos, foi também exonerada nesta quinta (28) da Prefeitura de Nova Marilândia (a 392 km de Cuiabá). Ela ocupava o cargo de Monitora de Programa da Secretaria Municipal de Educação. Além dela, a mãe da criança, Luana Marques Fernandes, 25, também foi autuada pelo mesmo crime, após uma série de diligências que comprovaram as circunstâncias da agressão fatal.
Segundo a Polícia Civil a vítima morreu devido a intenso sofrimento físico ocasionado por graves lesões.
A exoneração da madrasta foi publicada no Diário Oficial da Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM) em circulação na manhã de hoje. "O prefeito Juvenal Alexandre da Silva, no uso de suas atribuições legais, resolve exonerar a servidora a partir de 27 de novembro", diz trecho da publicação.
Arquivo Pessoal
As investigações iniciaram na noite de terça (26), quando a vítima foi deixada no Pronto Atendimento de Nova Marilândia, já sem vida, pela convivente de sua mãe. O caso levantou imediatas suspeitas, uma vez que nenhuma pessoa responsável ficou na unidade de saúde para acompanhar a criança.
Hematoma na região da barriga de David
Diante dos fatos, a equipe da Polícia Militar saiu em buscas das duas mulheres, conseguindo localizá-las próximas da casa em que residiam. Elas foram conduzidas à delegacia e interrogadas pelo delegado Marcelo Henrique Maidame que assumiu o caso.
Laudo médico apontou como causa da morte espancamento e esmagamento, uma vez que, além das lesões externas, foram identificados no menino vários pontos de hemorragia interna na região do abdômen.
Ao longo do dia, a equipe da Polícia Civil realizou diligências com objetivo de apurar o envolvimento das duas mulheres no crime. Durante os trabalhos, várias testemunhas foram ouvidas, confirmando que a criança vinha sofrendo constantes agressões por parte das suspeitas.
Em uma ocasião, o menino chegou a ser atropelado pela convivente da mãe, que o prensou contra o portão da casa. Quando questionadas sobre os hematomas na criança, elas alegavam que ele havia se machucado jogando futebol.
O pai
Na época ao tomar conhecimento dos fatos, o pai do menino o trouxe à Capital para tratamento adequado. Exames comprovaram que não poderia ter se machucado jogando bola, uma vez que o fêmur estava quebrado em diferentes pontos. O pai já tinha entrado com o pedido da guarda do filho na justiça, desconfiado de que sofria maus tratos.
Confissão
Interrogada pelo delegado Marcelo Maidame, a suspeita Fabíola confessou que espancou o menino e que o agredia com frequência, para corrigi-lo uma vez que ele, era muito arteiro e desobediente. A mãe da criança negou os fatos e disse que estava no trabalho quando o filho foi espancado.
“É um caso de grande repercussão, ficando claro o envolvimento das duas suspeitas. Fabíola que confessou o crime e Luana que era, no mínimo, conivente com a situação sofrida pelo filho”, disse o delegado.
As duas foram encaminhadas para unidade prisional feminina de Nortelândia (a 240 Km de Cuiabá) nesta quinta (28) e passarão por audiência de custódia em Arenápolis (a 341 km da Capital), ainda sem data divulgada.