Defesa culpa ex-diretor por desvio de R$ 40 mi no CFO e diz que dentista foi enganado
Advogado afirma que Luiz Evaristo não participou das irregularidades e aponta ex-diretor-executivo e outro advogado como responsáveis pelo esquema investigado pela PF
A defesa do cirurgião-dentista Luiz Evaristo Ricci Volpato, alvo da Operação Apolônia, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (17), afirmou que ele teria sido "enganado" e que foi vítima do esquema investigado por supostamente desviar R$ 40 milhões do Conselho Federal de Odontologia (CFO).
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O cirurgião-dentista Luiz Evaristo Ricci Volpato
De acordo com o advogado Mauricio Junior, que falou diretamente com a reportagem do #rdnews, Luiz Evaristo atuava como diretor financeiro da instituição no período investigado e que as supostas irregularidades teriam sido cometidas exclusivamente pelo então diretor-executivo do CFO e pelo advogado dele.
“O que vamos provar é que, na verdade, eles foram enganados por um grupo comandado pelo então secretário-geral do CFO, junto com outro advogado que era sócio dele. Agora, isso é uma questão judicial; vamos apresentar todas as provas em juízo”, afirmou a defesa.
O caso
Segundo a PF, os recursos da entidade eram repassados a uma empresa privada responsável pela gestão de investimentos. No entanto, a investigação apontou que a empresa não possuía autorização do Banco Central, tampouco da Comissão de Valores Mobiliários, para operar no mercado financeiro.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em São Paulo e Mato Grosso, expedidos pela 12ª Vara da Justiça Federal Criminal do Distrito Federal.
Durante a ação, foram apreendidos cerca de R$ 300 mil em dinheiro e veículos. Além disso, a decisão judicial bloqueou até R$ 57 milhões em ativos vinculados a pessoas e empresas sob apuração, entre elas ex-dirigentes do CFO e empresários. Segundo Mauricio, o Dr. Luiz Evaristo teve apenas o celular e o notebook apreendidos.
PF
Conforme publicado pelo #rdnews, foram identificadas movimentações financeiras atípicas na investigação, incluindo o fracionamento de quantias, remessas ao exterior e transferências entre empresas e indivíduos vinculados ao caso.
O CFO emitiu uma nota informando que a gestão, à época responsável pelos fatos investigados, já havia sido afastada por decisão da Justiça Federal em razão das irregularidades identificadas na destinação dos recursos do Conselho.
De acordo com a assessoria, o atual presidente do CFO, Jairo Santos Oliveira, assumiu o cargo em 28 de janeiro de 2026 por determinação da Justiça Federal. “Desde então [Jairo] tem colaborado integralmente com a Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF) no esclarecimento dos fatos e na responsabilização dos envolvidos”.
A instituição destacou que três ex-dirigentes do CFO já haviam sido condenados solidariamente pelo TCU a devolver mais de R$ 50 milhões aos cofres do Conselho. Além disso, reforçou que, em agosto deste ano, a atual gestão julgou e reprovou as contas do CFO relativas ao período em que os investimentos ora investigados eram contabilizados.
“O Conselho Federal de Odontologia reafirma que acompanha atentamente os desdobramentos do caso, confia nas instituições e permanece à inteira disposição da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União para prestar todos os esclarecimentos e colaborar no que for necessário para a completa apuração dos fatos”, concluiu a entidade em nota.