Cuiabá, 22/10/2026

Estojo com arma usada para matar Isabele estava em guarda-roupa de casal - veja

Advogado da família, Ulisses diz que arma foi guardada por segurança e entregue depois à polícia

Laudo pericial sobre a cena da morte de Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, em Cuiabá, trata, entre diversos aspectos, do estojo onde estava a pistola usada pela amiga, para o disparo fatal, supostamente por acidente. Investigações estão em curso e detalhes deste caso de grande repercussão têm sido levantados, como por exemplo a localização deste estojo, ou case pistol, como também é chamado. Isso porque a arma não estava no banheiro, onde o crime aconteceu.

De acordo com o documento, haviam quatro maletas (com armas dentro) alinhadas no guarda-roupas no quarto dos pais da menor que atirou, em mansão no Alphavelli I, onde a tragédia aconteceu. O estojo com a arma utilizada aparece em foto pericial, um pouco mais ao fundo do móvel, entre camisas, mala e outros objetos. É possível ver que está parcialmente aberto.

O perito oficial criminal Thiago José Resplande Lima, que assina o laudo, detalha que, assim como há indícios de que a cena como um todo foi alterada, o estojo também foi mexido. O caso corre em sigilo, mas o conteúdo do laudo vazou nesta quarta (12).

“Em que pese o controle de acesso observado no momento da chegada da equipe pericial, percebeu-se certa deficiência na preservação do local nos momentos anteriores à chegada da equipe. Isto porque o estojo, supostamente ejetado pela arma de fogo utilizada no evento, teve sua localização descaracterizada, uma vez que fora apresentado em mãos aos investigadores da Polícia Civil e repassados à equipe pericial a seguir”, diz trecho.

O laudo, solicitado pelo delegado Olímpio Cunha Fernandes Júnior, da DHPP, primeiro a atender a ocorrência registrada em 12 de julho, é resultante de três dias de coletas periciais. Dia 13 de julho de 2020, na mansão onde aconteceu a tragédia no condomínio de luxo Alphaville I. Dia 14 de julho foram feitas mais coletas complementares e dia 17 houve a aplicação do reagente Luminol, para detectar todas as marcas de sangue.

No detalhamento criterioso diz que o estojo, mudado de lugar, continha duas pistolas, uma Tanflóglio, calibre 38, italiana, em condição “eficiente para produzir tiro”, e uma brasileira, Imbel, calibre 380, “com o cão retraído em sua totalidade para a parte posterior e havia uma munição alocada no interior da câmara. A trava de segurança lateral encontrava-se acionada”. Essa arma de calibre 380 que é indicada como arma do crime.

“O estojo, do guarda-roupas posterior, era confeccionado em polímero de cor preta. Possuía alça para o transporte que se encontrava quebrada sua parte mediana. Internamente, era forrado por espuma também de cor preta apresentava formato composto por padrões de depressões e saliências. Havia duas (2) pistolas em seu interior, dentre as quais uma foi apontada como a arma utilizada no disparo que atingiu a vítima”, diz o laudo.

No quarto do empresário Marcelo Cestari, 46, pai da menina que atirou, a perícia observou ainda em mais quatro estojos armas italianas, norte-americanas e da República Tcheca.

Reprodução

Veja legenda com explicações sobre cada cena acima, todas elas relacionadas ao estojo que guardava a arma usada pela menor para matar a amiga Isabele

Depoimento de tenente

O estojo com a arma do crime é citado pelo 2º tenente da PM, que acompanhado por dois soldados, atendeu a ocorrência da morte de Isabele. Ele prestou depoimento na Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica) dia 29 de julho e disse que não encontrou no local do crime a arma, case (estojo para guardar arma) e munições.

Detalha ainda que ficou sabendo que dois soldados presenciaram o momento em que o advogado da família entregou o estojo para uma pessoa, "que acredita ser um perito por estar usando uniforme”. O soldado PM também disse que “o advogado da família teria recebido estojo das mãos do irmão da garota que atirou".

O que diz a defesa

O advogado da família, Ulisses Rabaneda, comenta a situação em entrevista ao #rdnews, concedida um pouco antes da divulgação dos laudos. Ele nega que a família tenha tirado a arma do local para alterar a cena do crime.

Detalha que, após o acidente, a arma ainda estava na mão da filha do Marcelo que atirou. "Ela sai do local, acondicionando ela (arma) numa cômoda, que era local de passagem das pessoas, onde por ali passaria o Samu. Seu irmão então pediu para que ela tirasse a arma dali para que não ficasse no caminho das pessoas", argumenta Rabaneda.

Rodinei Crescêncio

Advogado Ulisses Rabaneda sustenta que arma foi guardada por segurança, já que estava municiada. Ele ressalta que a Imbel  foi entregue à polícia

O advogado lembra que a Imbel, calibre 380 estava municiada e alega que o irmão da jovem pediu que ela fosse acondicionada num local seguro. "E, logo que a polícia chegou, essa arma foi entregue", finaliza.