Guerra entre CV e PCC eleva violência; Sorriso é a 7ª do país com mais homicídios
A criação da Tropa Castelar e a aliança com o PCC impactou no aumento de 18% nas mortes no estado
Mato Grosso inverteu a tendência de queda na taxa de homicídios - que manteve por anos - e teve um aumento de 18% em 2022, o maior do Centro Oeste. Segundo dados do Atlas da Violência 2024, esse crescimento se deve a grande movimentação entre facções criminosas e a ameaça da hegemonia do Comando Vermelho pelo Primeiro Comando da Capital. A criação da Tropa Castelar, que se aliou ao PCC, levou Sorriso ao posto de 7° município com maior taxa de homicídios no Brasil.
Os dados foram divulgados nessa terça-feira (18), no atlas elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Conforme o estudo, a predominância do CV no estado, principalmente na zona de fronteira com a Bolívia, tendo a cidade de Cáceres como a principal referênci, foi ameaçada com a entrada do PCC na região do meio-norte. No mesmo período, Cáceres teve um alto índice de homicídios, de 61,3 a cada 100 mil habitantes.
Imagem ilustrativa
A região fronteiriça é o principal ponto de entrada e de passagem do tráfico de drogas e de armas do Brasil. Autoridades públicas federais apontam que cerca de 80% da cocaína e maconha entram no país passam por esse território.
"Pertencente à região da Amazônia Legal e localizado na fronteira com a Bolívia, o estado do Mato Grosso possui posição estratégica para a entrada da droga no território nacional, e por isso é palco de confrontos entre as maiores facções criminosas do Brasil, PCC e CV", diz trecho do estudo.
Ainda conforme o atlas, a facção sempre atuou nessa região, mas não tinha o domínio da rota rodoviária para escoar a droga para São Paulo e Paraná, que passa por Sorriso, no norte do Estado. Devido aos conflitos, membros do CV deixaram a facção e criaram a Tropa Castelar, que se aliou ao PCC no final do ano.
Em 2022, investigações que embasaram a Operação Kraken, deflagrada pela Polícia Civil, apontaram que a indignação de um grupo dissidente com o número de execuções de companheiros do Comando Vermelho foi o que levou ao crescimento do número de faccionados do Primeiro Comando da Capital em Mato Grosso.
Membros descontentes com a violência do CV contra os seus próprios integrantes foram os primeiros a buscarem o apoio do PCC no estado. De olho no gerenciamento do tráfico de drogas na região de Cáceres, o grupo dissidente deu início à eliminação sistemática dos membros da facção rival. Dados extraoficiais apontam que o PCC tem aproximadamente cinco mil faccionados no estado.
Essa dinâmica levou o município de Sorriso, com 70 mortes a cada 100 mil habitantes, à sétima colocação no ranking de taxa de homicídios entre municípios com mais de cem mil habitantes e trouxe altíssimos índices também para Aripuanã (93,4 mortes) e Colniza (62,1 mortes), todos no Norte-Matogrossense.
Já no sudoeste do estado, sobressalta-se o município de Barra do Bugres, com taxa de 68 homicídios por 100 mil habitantes, cenário de chacinas e mortes muito violentas - inclusive em ações policiais.