Cuiabá, 17/09/2026

Investigado em operação sobre esquema em Sinop, ex-secretário se apresenta

Célio entrou em silêncio e presta esclarecimentos às autoridades policiais

Luis Vinicius/Rdnews

O empresário e ex-secretário de Saúde de Cuiabá Célio Rodrigues é um dos alvos da operação Cartão-Postal, deflagrada pela Polícia Civil contra suposto esquema envolvendo a gestão da Saúde de Sinop. Contra ele há um mandado de prisão. Inicialmente, Célio não foi localizado pelas autoridades policiais, mas se apresentou no final da manhã desta quinta (19) sob orientação da sua defesa, patrocinada por Anderson Bueno. Perguntado por jornalistas sobre a nova prisão, ele disse que prefere não falar.

O advogado de defesa de Célio afirmou, em entrevista à imprensa, que teve acesso à decisão nesta manhã e ainda irá elaborar a defesa do investigado."Ele se apresentou, agora é aguardar a tramitação normal. Só tivemos acesso ao mandado de prisão e é bem curto, ainda não temos elementos do que ele está sendo investigado. Ele está preso preventivamente no momento e vamos aguardar o desenrolar da tramitação para que façamos os pedidos", disse.

Luis Vinicius/Rdnews

Advogado Anderson Bueno, que patrocina a defesa de Célio Rodrigues, diz que analisa os autos para formular a defesa do empresário

Ao total, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva. Entre os presos, conforme a reportagem apurou, está o advogado Hugo Castillho. Operação mira suposto esquema envolvendo o Instituto de Gestão de Políticas Públicas (IGGP), que mantém contratos com a prefeitura para prestar serviços na Saúde.

IGGP foi contratado na gestão Roberto Dorner (Republicanos) e atua na gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 horas), Policlínica Meninos Jesus e algumas unidades de saúde do município.

Polícia apura a atuação de 34 investigados, entre empresas e pessoas físicas, em suposto esquema na Saúde. Entre as determinações está a de que o município deve reassumir imediatamente a prestação dos serviços.

Caso

Durante as investigações, identificou-se a atuação de uma suposta organização criminosa, que seria bastante estruturada, com clara hierarquia, divisão de tarefas entre seus componentes e que teria um sofisticado esquema de atuação em conexão com o Poder Público Municipal, cujo objetivo principal era fraudar de modo consistente a prestação do serviço de saúde, para auferir lucro e realizar diversos repasses financeiros aos líderes do esquema.

Foi verificado que, a organização social, que hoje gerencia a pasta da Saúde, teria sido especialmente ajustada para assumir a prestação do serviço de forma precarizada, tendo em vista diversas alterações formais que aconteceram em sua composição no mesmo período em que disputava a dispensa de licitação para assumir tais atividades, entre maio de junho de 2022.

Essa organização social voltou a vencer dispensas de licitação ocorridas entre outubro e novembro de 2022 e entre abril e maio de 2023, de modo que continua a atuar até hoje.