PF faz ação em MT e 6 estados contra extração e comércio ilegais de ouro
Além de Mato Grosso, os agentes cumpriram ordens judiciais no Acre, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rondônia
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta (7), três operações contra extração e comércio ilegais de ouro, batizadas de Ganância, Golden Greed e Comando. No total, cumprem 82 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva em Mato Grosso e seis estados.
Além de Mato Grosso, os agentes cumpriram ordens judiciais no Acre, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rondônia. As organizações criminosas desarticuladas pelas operações de hoje comandavam garimpos ilegais desde 2012. A PF também investiga acusações de usurpação de bem mineral da União, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, crimes ambientais, entre outras.
As investigações da Operação Ganância começaram em fevereiro de 2021 após uma denúncia envolvendo empresas de Porto Velho/RO ligadas ao ramo da saúde, as quais estariam lavando dinheiro de valores recebidos em licitações fraudulentas. Após as primeiras diligências, verificou-se que recursos ilícitos injetados em empresas da capital rondoniense eram oriundos de garimpo ilegal, praticado, pelo menos, desde 2012 pelos líderes da organização criminosa.
Rodinei Crescêncio
A partir de então, foi revelada uma movimentação de quantias bilionárias pelo grupo criminoso, com depósitos e saques milionários em espécie, empresas de fachada e transferências bancárias entre envolvidos. Foram identificados diversos meios de lavagem de capitais praticados pela organização criminosa, com destaque entre os modus operandi, a criação de um criptoativo (token) próprio de uma das empresas, com a finalidade de justificar os valores advindos da extração ilegal do ouro nas empresas dos criminosos, como se fossem investimentos de terceiros interessados em receber dividendos.
A análise bancária feita pela Polícia Federal apontou ainda que, entre os anos de 2019 e 2021, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 16 bilhões de reais em suas contas bancárias.
Foi possível demonstrar que a mineradora investigada “esquentava” o ouro extraído ilegalmente de outros garimpos da região norte do país utilizando-se de licenças ambientais inválidas e extrapolando os limites da licença de pesquisa e da guia de utilização que possuía para o local.
Estima-se que o rendimento da empresa tenha sido de R$ 1,1 bilhão. O valor do impacto ambiental em apenas um dos garimpos identificados na operação foi estimado em cerca de R$ 300 milhões.
Nesse garimpo, a área impactada pelos danos relativos à extração de ouro, que são cumulativos e potencialmente irreversíveis, chegaram ao total de 212 campos de futebol.
A Justiça Federal deferiu o bloqueio, sequestro e o arresto dos bens móveis e imóveis dos investigados até o limite de R$ 2 bilhões. (Com Assessoria)