Vídeo: Esposa de “Gordão” do CV é presa em aeroporto ao voltar de Paris
Katani Adorno Bocardi é investigada pelo possível elo em um esquema de lavagem de dinheiro do CV, comandado por Paulo Witer Farias Paelo, o W.T.
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Katani Adorno Bocardi, esposa de Emerson Ferreira Lima, o "Gordão"
Katani Adorno Bocardi, esposa de Emerson Ferreira Lima, o "Gordão", apontado como braço direito do Comando Vermelho (CV), foi presa na madrugada desta sexta-feira (31), no Aeroporto Marechal Cândido Rondon, em Várzea Grande. Ela estava voltando de uma viagem a Paris, na França. Katani foi um dos alvos da Operação Replay, deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Ela é investigada pelo possível elo em um esquema de lavagem de dinheiro do CV, comandado por Paulo Witer Farias Paelo, o W.T..
Conforme apurado pelo #rdnews, ela já foi servidora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Bocardi foi exonerada em janeiro de 2022. Nas redes sociais, a mulher ostentava vida de luxo, com viagens, bolsas de marca, e presença em restaurantes de alto padrão.
Ela estava sendo monitorada pela Polícia Federal desde que desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Ao pousar em Cuiabá, foi detida pelos policiais da Draco. Vídeo mostra o momento da prisão. Assista:
Além dela, também foram presos: a advogada Dayane Karol Moreira, o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como "Alex Soldado", Emerson Ferreira Lima, o "Gordão", e o assessor parlamentar Brunno Passos da Silva, conhecido como "Brunninho".
Operação Replay
De acordo com a Polícia Civil, a Operação Replay é um desdobramento de uma investigação continuada que já havia resultado nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. A nova fase foi estruturada a partir da análise dados telemáticos.
O material deu origem a relatórios técnicos que revelaram a continuidade da atuação da estrutura criminosa, com divisão de tarefas, núcleo financeiro próprio, operadores externos, utilização de contas de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível.
A análise desses dados constatou que W.T., mesmo na PCE, continuava exercendo funções de comando financeiro e disciplinar. As comunicações analisadas registraram cobranças de fechamentos, determinações de recolhimento, direcionamento de valores, correção de planilhas e orientação de operadores que atuavam em liberdade.
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Dayane Karol Moreira e Alex Júnior Santos de Alencar
A investigação identificou que o mesmo chip atribuído à Paulo Witer foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. A alternância dos terminais, segundo a PJC, indica método de adaptação destinado a contornar apreensões e controles penitenciários, permitindo a continuidade das comunicações clandestinas.
Em uma das planilhas encontradas, havia referência a R$ 14.093.000,00 como valor total congelado e a R$ 1.231.000,00 como total relacionado ao período analisado. O montante de R$ 15.324.000,00 serviu de parâmetro para o pedido de bloqueio financeiro. Os registros também continham referências a prestações de contas, movimentação de grandes quantidades de entorpecentes e distribuição de recursos entre diferentes núcleos.
Bens bloqueados
Além das prisões preventivas, diversos imóveis e veículos de luxo foram bloqueados pela Justiça. Entre os bens estão apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos.
Separadamente, foi pleiteado bloqueio financeiro de até R$ 15.324.000,00, valor relacionado à contabilidade encontrada durante a investigação. Esses montantes não devem ser somados como se fossem recuperação efetiva, pois representam categorias distintas de constrição patrimonial.
Somente os imóveis foram estimados em cerca de R$ 16,68 milhões. A investigação relacionou um apartamento de luxo em Itapema, estimado em R$ 3 milhões; um apartamento de alto padrão em Balneário Camboriú, estimado em R$ 6 milhões; uma casa em condomínio fechado na região de Camboriú, estimada em R$ 6 milhões; uma residência de alto padrão em Cuiabá, estimada em R$ 1,5 milhão; e três terrenos avaliados, em conjunto, em aproximadamente R$ 180 mil.
PJC
Os veículos submetidos às medidas foram estimados em aproximadamente R$ 607,6 mil, incluindo automóveis e motocicleta registrados em nome de investigados ou terceiros ligados ao núcleo.
A estratégia de descapitalização busca impedir que bens adquiridos com recursos de origem ilícita sejam vendidos, transferidos, ocultados ou reutilizados para financiar a reorganização da estrutura.
Nome da Operação
O nome Replay faz referência à repetição das condutas e à capacidade de reorganização identificada após as operações anteriores. A nova fase busca interromper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos, neutralizar o comando exercido de dentro do cárcere e retirar da estrutura os recursos financeiros e patrimoniais utilizados para manter suas atividades.