Prefeitos de San Matías e Cáceres pedem que caso precisa ser esclarecido - vídeo
Rodinei Crescêncio
Prefeito de San Matías, Fábio Olivares, e a prefeita de Cáceres, Eliene Liberato, afirmam que crime na fronteira não interferiu na relação entre as 2 cidades
Os prefeitos das cidades Cáceres, no Brasil, e San Matias, na Bolívia, afirmam que o incidente em que ocorreram as mortes dos quatro chiquitanos Arsino Sunbre García, 53 anos, Pablo Pedraza, 38, Yona Pedraza Tosube, 26, e Ezequiel Pedraza Tosube, 18, em 11 de agosto passado, não atrapalhou a amizade entre as intituladas “cidades irmãs”, mas ambos frisam que o caso precisa ser esclarecido.
“Infelizmente, não podemos instaurar uma ação criminal até que seja proferida uma sentença pelo Exército (polícia) no Brasil”
Prefeito de San Matías, Fábio OlivaresOs políticos Eliene Liberato e Fábio Lopez Olivares receberam o #rdnews entre os dias 2 e 3 de fevereiro e conversaram sobre as 4 mortes que ocorreram há 6 meses na fronteira dentro de uma área na Fazenda São Luiz, cerca de 10 km da comunidade de chiquitanos, San José de La Fronteira, em San Matias, na Bolívia. A ação policial durou cerca de 4 horas.
“Infelizmente, não podemos instaurar uma ação criminal até que seja proferida uma sentença pelo Exército (polícia) no Brasil. Porque as pessoas que cometeram o ato são de origem brasileira e autoridades são do país vizinho. Então, precisaríamos que os autores fossem identificados”, pontua o prefeito de San Matias. Ele vem acompanhando de perto as viúvas Meire Pedrosa Choré, 48, Fábiola Blanco Oliveira, 22, e Cristiane Martine Ramos, 23.
O prefeito conta que tentou abrir uma investigação no país e a polícia boliviana chegou a ir no local das mortes e fazer um laudo pericial. Mas, até o momento, nada avançou. “Tentamos com a Polícia Nacional, mas por conta da pandemia não conseguimos ir muito adiante”, pontua.
Rodinei Crescêncio
Prefeita de Cáceres, Eliene Liberato, atendeu a reportagem do #rdnews e destacou que a prefeitura não se isentou diante do caso e prestou toda assistência
“O município em momento algum se eximiu de estar junto fazendo esse acompanhamento, considerando a situação que a gente sabe de vulnerabilidade dessas famílias”
Prefeita de Cáceres, Eliane LiberatoA prefeita de Cáceres afirma que, no ano que ocorreram as mortes ela era vice-prefeita, mas que acompanhou o caso por meio da secretaria de Assistência Social que foi mobilizada para atender os familiares. Na época, a prefeitura da cidade doou os caixões para que o chiquitanos fossem enterrados. “Tivemos todo o cuidado, demos assistência para família até na questão do velório, as assistentes sociais acompanharam. O município em momento algum se eximiu de estar junto fazendo esse acompanhamento, considerando a situação que a gente sabe de vulnerabilidade dessas famílias”, aponta.
Eliene frisa ainda que alguns vereadores foram até a comunidade de San Matias, na Bolívia, para fazer um levantamento das necessidades dos familiares e que a demanda foi encaminhada ao município e o então prefeito Francis Maris entrou em contato com o prefeito de San Matias para que fosse dada toda assistência às famílias.
"Nós temos um relacionamento muito bom. São oito anos. Sendo dois como vice e agora como prefeita. Tanto que nós já recebemos uma visita deles (bolivianos) e estamos programando uma também, para que a gente tenha um bom relacionamento. Com certeza isso ( o crime) não é fator, de forma alguma, para criar uma situação de ranço”, afirma.
Prefeita fala de relação diplomática
A prefeita destaca que esta situação não pode e nem vai atrapalhar o relacionamento entre as cidades. Pois o objetivo é avançar em várias discussões que possam fortalecer e estreitar os laços bilaterais entre Bolívia e Brasil, por meio de San Matias e Cáceres.
“Então, não houve de fato nenhuma indisposição nesse sentido. Até porque, é uma situação, um processo, que se encontra correndo na Justiça, via Polícia Federal, e acredito que vai ser apurado e desvendado. É uma situação que o município lamenta muito profundamente e que não agradou de forma alguma, mas que também a gente sabe separar as questões nesse sentido de relacionamento diplomáticos entre os dois países”, frisa.
Rodinei Crescêncio
Prefeito de San Matías, Fábio Lopez Olivares, durante entrevista ao #rdnews, ressaltou que já participou de reunião em Cáceres pedindo invetigação do fato
Bons vizinhos e irmãos
O prefeito de San Matias segue na mesma linha. Ele explica que participou de reunião em Cáceres para pedir uma investigação sobre o ocorrido. Fala que foi muito bem recebido junto com os familiares dos chiquitanos e que, por conta disso, é muito grato.
“É interessante que se indenize as famílias que foram afetadas, pois crianças ficaram órfãs, sem o seus pais que levavam sustento para dentro de casa”
Prefeito de San Matías, Fábio Olivares“Mas nós vamos seguindo, pedindo mais informações sobre os andamentos das investigações para podermos levar os esclarecimentos, pois é interessante que se indenize as famílias que foram afetadas, pois crianças ficaram órfãs, sem o seus pais que levavam sustento para dentro de casa. Então, isso é muito triste e preocupante para toda a família e para nós como munícipio, pois vivemos em um dificuldade dia-a-dia. E queremos esclarecimentos para todos familiares conseguirem viver de maneira tranquila”, fala.
Fábio pontua que “graças a Deus” o crime não influenciou na “lei da boa vizinhança” entre Cáceres e San Matías. E volta a dizer que tem sido muito bem recebido em Cáceres, pois são "bons vizinhos e irmãos".
“Porque esses laços de amizade não podem ser desmanchados por esse rastro de sangue. Compramos de Cáceres e queremos continuar comprando, então não creio que essas mortes sejam um motivo para que nós rompamos relações, ou que não possamos dar um abraço de irmão e fortalecermos a nossa fronteira".
Porém, frisa que a polícia brasileira não pode invadir o país vizinho e praticar crimes. "Que o Gefron não entre em nossa fronteira e cometa atropelos, abusos ou assassinatos. Não necessitamos disso”,assevera.
Prefeito pede para que respeitem a fronteira