Dia das mães em dose dupla na casa de Michelle e Regina; medicina realiza sonho
Um “pacotinho de amor” chegou há 55 dias para completar a felicidade das companheiras Michelle Jaber, 37 anos, e Regina Silva, 39, juntas há 17 anos. Neste domingo (13), as duas comemoram o primeiro Dia das Mães como homenageadas.
Mário Okamura
Michelle e Regina, que estão juntas há 17 anos, ligadas pelo amor, agora estão apaixonadas pela filha, Lívia, que chegou por meio de inseminação artificial
A pequena Lívia Jaber Silva veio como um bálsamo para a família em um momento conturbado, já que uma delas, a Michelle, combate um câncer, e a outra, Regina, enfrenta doença autoimune.
Lívia, que significa “vida” em romano antigo, agora veio completar a família das professoras universitárias, que até então era formada por dois cachorros e três gatos recebidos de amigos. “Sempre conversamos sobre ter filhos e já tínhamos até um nome, mas para menino”, relembra Michelle.
“O amor cura, vivenciamos isso na prática”
Para realizar o sonho de ter filhos, o casal esperou certa estabilidade. Concluíram o doutorado, passaram em concurso público da UFMT e entraram na fila da adoção. Porém, cansadas de esperar, decidiram pela inseminação artificial no final de 2016.
O plano era que Michelle recebesse óvulos de Regina fecundados em clínica especializada com sêmen de doador anônimo. “Amo crianças, tenho 24 sobrinhos, mas nunca me vi grávida”, conta Regina. Além disso, por ser portadora de doença autoimune isso a levaria a uma gestação de risco.
Este era um dos motivos de optarem pela gravidez de Michele. Porém, durante exames solicitados pelos médicos para inseminação, foi descoberto um nódulo na mama esquerda dela. “Foi um baque. Já estávamos planejando o nascimento desse filho tão desejado e nos vimos obrigadas a interromper esse momento”.
Reprodução
Inseminação: com seringa, são injetados espermatozoides direto no útero da mulher
Em março ela começou o tratamento de quimioterapia em Cuiabá e teve acompanhamento de um médico de São Paulo, que sugeriu uma mudança no protocolo, o uso de hormonioterapia e a retirada dos ovários. “Essa parte foi muito difícil, pois representam a fertilidade”, comenta.
O casal recebeu ajuda profissional para enfrentar a fase e, em uma das sessões, o adiamento da gravidez foi abordado e a psicóloga questionou porque elas estavam focadas na doença e não na vida. “O questionamento despertou algo em mim e eu perguntei a Michelle: e se eu ficar grávida? Os olhos dela brilharam”, lembra Regina.
Depois da mudança de planos surgiu novo ânimo para a família. “Estava muito bitolada com o tratamento, remédio, terapias, dor, cirurgia que não conseguia fazer mais nada. Com a possibilidade de retomar o sonho de ter filhos até a disposição para encarar o tratamento mudou”, conta Michelle.
A gestação vingou de primeira e começaram a pensar em nome, enxoval, quartinho e toda preparação para receberem a Lívia. Mudou a sintonia. Por ser uma gestação de risco, Regina precisou de alguns cuidados extras e o parto cesariano foi antecipado. “A gestação não foi fácil. Estamos na fase de puerpério, noites mal dormidas, mamadas, mas quando a Lívia dá um sorriso, esqueço tudo”.
“A gestação não foi fácil, mas quando a Lívia dá um sorriso esqueço tudo”
O dia das mães para Regina e Michelle é um momento de reflexão sobre este papel, momento de agradecer pela oportunidade e a prova de que o amor cura. “Durante o tratamento da Michelle usávamos a #amorcura e agora vivenciamos esta máxima”.
Brasil
Último censo divulgado pelo IBGE, em 2010, mostrou que as formações familiares brasileiras estão cada vez mais diversas. Segundo o levantamento, existem 60 mil famílias homoafetivas no Brasil e 53,8% delas são formadas por mulheres.