DIA DAS MÃES

Domingo, 13 de Maio de 2018, 08h:27 | Atualizado: 13/05/2018, 20h:29

Maternidade depois dos 40 anos é alegria, recomeço e esperança - galeria de fotos

Arquivo Pessoal/Patricia Nita

Ana Regina e Cláudia Machado

 Ana Regina e o filho Francisco; Cláudia e a filha Maitê em momentos de puro amor. Elas contam que primeiro veio o susto e, depois, a adaptação e a alegria

A maternidade, quando ocorre, depois dos 40 anos é uma oportunidade de recomeço, renovação e esperança. É o que garantem a psicóloga Ana Regina Ribeiro, 44, e a servidora pública Cláudia Machado, 48, que passam por esta experiência.

Para criar os filhos, que não foram planejados e chegaram mais tarde, as duas tiveram que adaptar a rotina e suas vidas para o acolhimento dos pequenos. Elas acreditam que a maturidade seja fundamental no modo como lidam com a maternidade.

Foi um fato muito comemorado em minha família - Ana Regina

Aos 41 anos, Ana Regina tinha duas filhas, de 15 e 20 anos, e vivia uma relação estremecida com o então marido. Enquanto acreditava ter concluído a criação das filhas, que já eram independentes, recebeu uma notícia inesperada: estava grávida.

Logo que se casou, ela havia planejado ter três filhos. Porém, o sonho não fazia mais parte da vida dela depois dos 40. “Eu já tinha aceitado que teria apenas as minhas filhas e estava tudo bem. Foi então que veio a surpresa da terceira gravidez”, conta.

Ela relata que costumava se prevenir com preservativos em grande parte das relações que mantinha com o ex-marido, para evitar uma nova gravidez. A preocupação inicial deu lugar à alegria durante a gravidez. “Muita gente me apoiou. Foi um fato muito comemorado em minha família. As minhas filhas foram fundamentais nesse período”, relembra.

Apesar do apoio, os medos ainda faziam parte da rotina da psicóloga. ”Eu me perguntava se ainda me lembrava como eram os cuidados com um bebê. Foi um recomeço em todos os sentidos”, diz. Durante a gestação, ela conta que seguiu corretamente todas as orientações médicas e não correu riscos. “Eu me cuidei corretamente, por isso não houve muitas complicações”, pontua.

O ginecologista e obstetra Álvaro Roberto de Assunpção explica que os cuidados de uma gestação depois dos 40 anos não devem impedir que a mulher se torne mãe. “Os fatores fisiológicos não são problemas para uma gravidez nessa idade. O pré-natal é mais intensivo e os cuidados são maiores, para evitar problemas, mas nada disso impede uma mulher de engravidar”, conta.

Os riscos da gravidez depois dos 40 não amedrontaram a servidora pública Cláudia Machado, que tornou-se mãe de primeira viagem aos 42. Ela engravidou de um namorado nepalês, que conheceu durante uma viagem aos Estados Unidos. “A gente namorava a distância, nos víamos algumas vezes e eu acabei engravidando”, conta.

Segundo a servidora, a gravidez, apesar de inesperada, foi a realização de um de seus maiores sonhos. “Sempre quis ser mãe, mas até então não havia conseguido, por falta de tempo e também porque não havia encontrado o homem que imaginava como pai de um filho”, pontua. Durante a gestação, ela chegou a morar nos Emirados Árabes Unidos com o pai da filha. “Acabou não dando certo, porque eu não gostei do preconceito que o país tinha com as mulheres, que sempre eram inferiorizadas”.

Sempre quis ser mãe, mas até então não havia conseguido, por falta de tempo

Cláudia decidiu retornar ao Brasil nos últimos meses de gestação. Ela teve a filha em Passo Fundo (RS), onde vive sua família. “Não queria ficar sozinha no momento em que minha filha nasceu”, declara.

Ela e o pai da garota se separaram. O homem nunca viu a filha, que hoje tem seis anos, pessoalmente. A mulher conta que mantém somente o contato necessário com o ex. “Ele viu a minha filha apenas em fotos e não ajuda financeiramente, porque eu preferi assim”, diz.

A maternidade

Cláudia frisa que a gravidez da filha foi não teve grandes complicações. A criança nasceu por meio de cirurgia cesariana. O procedimento também não teve complicações. “Foi tudo tranquilo”, comenta.

Para Ana Regina, um dos momentos mais especiais durante a gestação do terceiro filho foi o parto. “Eu tive as minhas duas primeiras filhas de parto normal. Eu tive um pequeno problema de amadurecimento de placenta e ele teve de nascer de 38 semanas”, conta. Apesar de os médicos desaconselharem, ela insistiu para que tivesse o filho por meio de parto normal. “Eu fui ao hospital e comecei a indução às 9h. Caso não desse certo, recorreríamos à cirurgia”.

Galeria: Mãe na maturidade

O procedimento de indução deu certo e o pequeno Francisco nasceu horas depois. “Foi um momento muito especial”, diz.

Para as duas mães, a maturidade adquirida com o tempo auxiliou na maternidade depois dos 40. “Se eu tivesse tido a minha filha mais nova, teria mais disposição. Mas talvez não tivesse capacidade para decidir tantas coisas”, pontua Cláudia. Para Ana Regina, o filho foi fundamental para auxiliá-la no divórcio, ocorrido pouco após o nascimento do filho. “Ele foi o elo da nossa família, o responsável por manter o respeito em nossas relações”, diz.

A nova rotina

Com carreiras construídas e rotinas atribuladas, as mães tiveram que se adaptar após os nascimentos dos filhos. “Eu criei uma nova rotina, para me dedicar a ele. Passei a conhecer desenhos e outras coisas de crianças, que há anos não acompanhava mais. Além disso, comecei a comprar brinquedos para meninos, coisa que não era acostumava”, comenta Ana Regina.

Elas preferem se formar, construir uma carreira e se estabilizar, para que depois possam pensar em ter filhos - diz o médico

O obstetra Álvaro explica que muitas mulheres passaram a deixar a gravidez para mais tarde para que pudessem se dedicar à vida profissional. “Elas preferem se formar, construir uma carreira e se estabilizar, para que depois possam pensar em ter filhos”.

Um dos maiores desafios para Cláudia, após o nascimento da pequena Maite, foi conciliar a vida de mãe solteira com a carreira profissional. “Eu contratei uma secretária para me ajudar. De manhã, a minha filha fica com ela, que a leva ao balé a e outras atividades. Depois a Maite vai para a escola. À noite, quando eu saio do trabalho, busco a minha filha na escola e fazemos algumas atividades. Nos fins de semanas, sempre saímos ou vamos para a piscina”, detalha.

Ana Regina, que se imaginava mais tranquila e livre após o crescimento das filhas, adaptou os planos. “Eu acreditava que teria menos responsabilidade nessa fase da vida. Eu não me limito a fazer nada por conta do meu filho, porque sempre o levo comigo aos lugares em que ele pode entrar. Por exemplo, se quero ir a um show e aceitam que entrem crianças, o levo junto”, relata Ana Regina.

Arquivo Pessoal

Álvaro Roberto de Assunpção

Médico Álvaro Roberto vê muitos avanços na Medicina

“Um dos meus planos era virar ‘mochileira’ depois que minhas filhas crescessem. O Francisco não vai me impedir, porque ele pode ir comigo. É como se eu tivesse um companheiro para essa minha fase da vida”, acrescenta Ana.

Sem arrependimentos

Apesar das mudanças nas rotinas, as mães são enfáticas: não se arrependem da maternidade depois dos 40. “O meu filho mudou o meu estilo de vida, mas acredito que ele foi um grande presente em minha vida. Não me arrependo. Ele me renovou em todos os sentidos. Estou mais tranquila e sem a pressa que costumava ter no passado”, destaca Ana Regina.

Para o obstetra Álvaro, muitas mulheres acabam desistindo da maternidade logo que chegam aos 40. "A gravidez depois dos 40 ainda é uma situação rara. As mulheres temem, mas não precisam ter medo. Hoje, há um avanço que permite a asistência necessária para elas", frisa.

Cláudia também é uma entusiasta de gestações depois dos 40. Ela costuma dizer que a filha foi um presente especial. “Ela foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Desde que ela nasceu, evoluí muito. Passei a ser mais tolerante, tenho mais paciência e comecei a rever as coisas. Tudo me modificou. Renunciei a muitas coisas e hoje vivo um dia de cada vez”, diz.

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