Cuiabá, 15/10/2026

Cultura da uva avança em 4 municípios e maior parreiral agora fica em Nova Mutum

Enquanto em Primavera do Leste, o título de Capital da Uva deixou de ser uma realidade, a 468 km de distância da região, em Nova Mutum está o maior parreiral de Mato Grosso. A propriedade é do francês Michel Le Plus, 71 anos, que chegou na cidade nos anos de 1970.

Assessoria

Plantação de videiras em Nova Mutum que tem maior parreiral de MT; uvas são produzidas também em Primavera do Leste, Chapada e São Pedro da Cipa

Entusiasmado com a ideia de produzir uva no Cerrado, Le Plus, acompanhado do irmão Alan, conta com o apoio das unidades da Embrapa de Jales (SP) e Bento Gonçalves (RS). Mantendo hoje um parreiral de 35 hectares, o primeiro plantio na propriedade foi realizado em 1998, a título experimental, em apenas um hectare. À época foram testadas 14 variedades de uvas, entre viníferas e de mesa.

Atualmente, a fazenda produz as variedades Niágara, Violeta e Isabel. Em 2000, a fábrica de suco Melina foi instalada. Le Plus passou a distribuir o suco integral de uva, em 2001, para várias cidades mato-grossenses, principalmente Nova Mutum, Sorriso, Rondonópolis e Cuiabá.

A fábrica também já forneceu suco para uma grande rede de supermercados presente em todo o país. Atualmente, a capacidade de produção da fábrica é de aproximadamente 500 mil litros de suco por ano e conta, para isso, com o trabalho de seis empregados.

Mário Okamura

Além de Primavera e Nova Mutum há cultivo de parreirais em Chapada e São Pedro da Cipa

Apesar do legado na produção de suco de uva com produção própria no cerrado, o viticultor afirma que não tem perspectiva de se manter no negócio por muito tempo em razão da idade.

Além de Primavera do Leste e Nova Mutum, outras regiões de Mato Grosso também cultivam parreirais, como em Chapada dos Guimarães e na região do Vale do São Lourenço, mais precisamente em São Pedro da Cipa (a 148 km de Cuiabá).

Novas variedades estão sendo testadas, mas a Niágara Rosada é a que predomina nas 4 cidades do Estado onde há plantio de videiras. A razão pela qual a variedade da uva é a preferida entre os viticultores é a preferência dos consumidores devido ao sabor adocicado. Por isso, a fruta é consumida, majoritariamente, in natura.

Ex-capital da Uva

Se Primavera do Leste voltará a ser a Capital da Uva, só o tempo pode dizer. Potencial para produção a cidade possui, assim como potenciais consumidores.

Redes de supermercados de Cuiabá e Rondonópolis já manifestaram interesse nas uvas produzidas pelos viticultores da região. Atualmente, a produção de uvas serve, integralmente, para abastecer os consumidores da cidade.

Mário Okamura

Viticultor Líbero Favarin, que tem única produção de vinho em atividade e que na última safra produziu 800 litros

Uva in natura, suco ou vinho. Essa são as opções que os primaverenses e visitantes têm para consumir a uva. Em relação ao vinho, a única produção ainda em atividade é mantida pelo viticultor Líbero Favarin, que na última safra produziu 800 litros de vinho.

O vinho artesanal feito por Líbero é comercializado em uma pequena cantina. O espaço inaugurado há 18 anos pelo produtor rural é chamado “Cantina da Uva”. Além do vinho, consumidores podem comprar uvas in natura e suco artesanal.

Nos demais parreirais, a maioria dos consumidores se dirigem até as fazendas para comprar os cachos de uvas diretamente onde são produzidas. Os viticultores também distribuem as uvas nos supermercados locais e para os feirantes, geralmente ao preço médio de R$ 5/kg.

Também viticultor, Itacir Gatti relata que a uva produzida em 2017 não foi suficiente para suprir a demanda do município. Além do mais, muitos donos de mercados chegaram a entrar em contato com a fazenda para negociar o abastecimento em unidades de Cuiabá e Rondonópolis, o que não aconteceu por falta de produto. A perspectiva é que na safra deste ano, entre julho e dezembro, uvas de Primavera do Leste sejam vendidas em redes de supermercados de Cuiabá e de Rondonópolis.