No último dia 12, um professor de filosofia foi agredido por um aluno na Escola Estadual Raimundo Pinheiro da Silva, em Cuiabá. O motivo? O professor o repreendeu por estar jogando baralho em sala de aula. Diante da situação, o educador pediu que ele se retirasse da sala e fosse até a coordenação. Ao retornar, o estudante ameaçou o professor e o agrediu quando disse que iria chamar a polícia.
Veja a situação. É chocante não só porque um professor foi agredido em seu local de trabalho. É chocante, em verdade, por sua recorrência.
Infelizmente, devo dizer que são inúmeros e repetidos os relatos de professores que são ameaçados ou que têm um bem depredado. A depender da escola ou do turno em que trabalham, nas sala dos professores é confessado, entre risos nervosos, quem teve que trocar os pneus de seu carro ou quem teve o carro riscado, ou quem foi ameaçado. O que o professor faz frente a isso? Esquiva-se, fica inerte e aceita. A coordenação, a direção e a Seduc, via de regra, fazem o mesmo.
“São inúmeros e repetidos os relatos de professores que são ameaçados ou que têm um bem depredado”
Precisamos ter em mente que a escola é um catalizador de problemas sociais. Tudo reflete e é refletido pela escola e é por lá que o trabalho precisa começar. Trabalho que não é somente do professor. É preciso um esforço conjunto da comunidade escolar e civil, mas principalmente de respaldo e de segurança.
De nada adianta campanhas "facebookeanas" que defendem que o professor merece o prestígio de um jogador de futebol, enquanto esses precisam pisar em ovos para exercer a sua profissão para saber quando podem ou não exigir o mínimo de respeito. Não defendo, é claro, que um professor deveria ter seguranças como os tem um juiz de Direito. Não seria factível (ou seria?), mas é hora de mudar. É hora de ter o respeito merecido. O que não podemos permitir é que essa situação se arraste por mais tempo.
Então, devo questionar: senhor governador, senhores deputados estaduais, quais medidas tomaremos? Enquanto se tem "rios" de cifras de verbas indenizatórias, o que pode ser feito pelos professores e pelos cidadãos futuros deste Estado?
Lyssa Gonçalves é professora-mestre em Estudos de Linguagem, presidente da Associação de Professores de Língua Inglesa do Estado de Mato Grosso e está lotada na escola estadual Doutor Estevão Alves Correa. E-mail: lyssagon@gmail.com
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Thyago 27/06/2018
Concordo em gênero, número e grau.
Nilma Machado Carvalho 27/06/2018
Nunca fui assim, mas não deveria ser obrigatório o estudo, pois na maioria das vezes, os alunos não querem e nem gostam de estudar, o de graça não tem valor. Há casos de alunos, principalmente do noturno, que fazem matrícula todo ano para vender droga, depois ele desiste!
Olival 26/06/2018
Belo artigo, Professora Lyssa. É muito lamentável saber que isso ainda ocorre com frequência em nosso país!
Arthur costa 26/06/2018
Ate quando? Dificil resposta. Nao sera a primeira e nem a ultima. Lamentavel.
João batista Da Costa 26/06/2018
A verdade é que o estado invadiu nossas casas e escolas tirando nossas autoridades, só que onde os políticos atuam não tem crianças pra educar. Isso mostra o por que muitas crianças não aprendem nem mesmo o básico.
Paulo Aquino 26/06/2018
Precisamos de sérias mudanças na educação!!!! Eleições estão bem ai! Espero que os eleitores estejam conscientes do poder que tem em suas mãos.
6 comentários