Secom
VLT é o principal símbolo do atraso das obras previstas para a Copa. O modal já custou R$ 1 bilhão
Dois anos se passaram deste a Copa do mundo e até agora o Estado não assistiu ao término de 87% do pacote de 22 obras prometidas e contratadas por licitação na Grande Cuiabá.
As outras 19 continuam sem uma definição, isso porque mesmo depois da assinatura dos Termos de Ajustamento de Gestão (TAG) entre o governo do estado, Tribunal de Contas (TCE) e as respectivas empreiteiras, os cronogramas continuam atrasados e alguns podem ser rescindidos. Os gastos com os contratos firmados visando o Mundial de futebol chegam à cifra R$ 933,09 milhões, fora o VLT, orçado em R$ 1,4 bilhão.
O VLT, por sinal, é o principal símbolo desse atraso. As obras já consumiram R$ 1,06 bilhão dos cofres públicos, segundo a secretaria de estado de Cidades (Secid).
O projeto deveria ter sido executado até março de 2014, porém ainda hoje é objeto de desentendimento entre o governo estadual e o consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande na Justiça. Ambos estão em processo de conciliação e o empreendimento passa por auditoria, que definirá custos, cronograma e viabilidade de implantação.
A Secid não tem números oficiais que aponte o quanto a obra física avançou até ser paralisada, em dezembro de 2014. Porém, o secretário de estado de Cidades, Eduardo Chiletto, diz que a expectativa é de que até o final deste ano as obras sejam entregues. “Tirando a obra da trincheira Santa Rosa, cuja empresa decretou falência, os outros trabalhos estão seguindo o cronograma. E esperamos que até o final de 2016 consigamos conclui-las”.
Outras obras
No dia 15 de dezembro o governador Pedro Taques assinou, junto com o Tribunal de Contas (TCE) e empreiteiras, 16 Termos de Ajustamento de Gestão (TAGs) no valor R$ 50 milhões, para conclusão de obras que eram de responsabilidade da extinta secretaria de Extraordinária da Copa do Mundo. Já foram realizados mais de R$ 900 milhões em investimentos em obras para o Mundial.
Chico Valdiner/Secom
Secretário de Projetos Estratégicos Gustavo Oliveira durante vistoria das obras na Arena Pantanal
A Arena Pantanal ainda não foi concluída em sua totalidade. Com capacidade de receber 41 mil pessoas, o estádio mato-grossense tem uma média de público de 5.904 pessoas, ou seja, menos de 13% da sua capacidade total. Notificada para retomar o serviço até esta terça (13), a empreiteira Mendes Júnior se recusou a assinar um Termo de Ajustamento de Gestão com o Governo e TCE, por entender que já terminou a obra. Apesar de já ter servido de palco para quatro jogos da Copa do Mundo da Fifa de 2014, e inúmeras partidas de campeonatos regionais e nacionais, a Arena Pantanal não foi oficialmente entregue ao Estado. O governo considera que inúmeros serviços ainda faltam ser feitos, bem como a substituição de materiais, por terem qualidade inferior à que foi contratada. A Secid tem um relatório próprio de 187 páginas e mais de 60 itens relacionados às pendências que ficaram pelo caminho.
Segundo o último relatório da Secid, as obras nesta situação são as duplicações da Estrada da Guarita (96,2%) e da Rodovia Mário Andreazza (95,5%); a restauração das ruas no entorno do estádio (90,5%); a construção das trincheiras Jurumirim (97,8%), Santa Rosa (88,3%) e Verdão (91,6%); a implantação de nova iluminação nas vias urbanas da cidade (93%); e a construção da Arena Pantanal (97,8%) com a instalação dos sistemas de tecnologia de informação e comunicação (91%) e de mobiliário esportivo do estádio (94%).
Nem tão próximas do fim das obras, mas continuamente utilizadas pela população, estão estruturas como o Aeroporto Marechal Rondom, cuja ampliação está em 72,7%; a Avenida Arquimedes Pereira Lima (duplicação em 79,7%), a Avenida 8 de Abril (restauração em 64,9%), o complexo viário do Tijucal (construção em 78,7%), o complexo da Avenida da FEB (com obras do Viaduto Dom Orlando Chaves e entorno em 67%).
Ainda distantes da conclusão e sem uso por parte da população estão as obras de implantação da Avenida Parque do Barbado (71,2%) e a construção do COT da Barra do Pari, em Várzea Grande (69,2%), a construção do COT da UFMT (74%), sem contar o VLT.
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Carlos Nunes 13/06/2016
Ih! O maior erro do VLT foi terem deixado o Silval comprar as Composições na Espanha; em recente depoimento, o ex-secretário da Secopa, Maurício Guimarães, admitiu que o VLT dá prejuízo; narrou que...o VLT do Porto em Portugal, que inspirou o VLT daqui, dá anualmente ao governo português um prejuízo de 1 Bilhão de Reais. Pois é, a gente vai descobrindo a verdade aos poucos, e ela tem diversas faces, por exemplo: 1) diversos sites já disseram que, com as composições do VLT indo de lá prá cá, 24 horas por dia, o consumo de energia elétrica será igual ao de uma cidade com 90 mil habitantes. Mas o negócio é tão moderno que, se apagar a luz da cidade, ele para...isso é que é modernidade. O VLT do Rio de Janeiro foi inaugurado, e ficou 1 hora parado, esperando a luz voltar. 2) não existe ainda demanda de passageiros em Cuiabá para cobrir os custos e os prejuízos...as composições do VLT articuladas transportarão até 400 pessoas por vez. Se houver 4 composições, dará para transportar até 1.600 pessoas cada vez; mas não tem isso tudo de passageiro, cada vez. De acordo com o IBGE a estimativa de população de Cuiabá ainda é de 580 Mil habitantes, que dá uma demanda insuficiente. 3) Aonde passará o VLT, não passará mais ônibus, então os ônibus virão dos incontáveis bairros, e despejarão os passageiros nas Estações do VLT. Haverá desemprego de muitos motoristas de ônibus, funcionários, pois não dá para concorrer no mesmo trecho ônibus e VLT...aí não vai ter demanda nem prá um, nem prá outro. O preço da passagem será de integração dos dois; hoje R$ 3,60; teria que cobrir os custos dos ônibus e do VLT; quem vai ficar com a maior parte do dinheiro, eis a questão - quem percorrer o maior trecho? Dependerá da Logística? Será que o VLT vai acabar implodindo, o já deficiente transporte de ônibus e micro-ônibus? Alguém argumentaria, mas o Rio de janeiro, agora tem o VLT...bem, lá tem uma superdemanda, a população da cidade já superou os 6 Milhões de Habitantes, faz tempo. Lá o VLT veio atrasado. Só uma coisa é certa no VLT de Cuiabá: o povo não vai aceitar um preço de passagem caro, de jeito nenhum; assim sendo o governo vai ter que, mensalmente, cobrir a diferença com dinheiro público, dos custos e dos prejuízos. O duro é o governo, passados alguns meses, dizer: não temos mais dinheiro para cobrir custos e prejuízos nenhum. Depois que a cidade estiver aberta DE PONTA A PONTA (do Porto ao CPA e do Centro além do Coxipó), o dinheiro vai ter que aparecer NA MARRA, para construir e para manter o VLT...senão vai ser o maior fiasco da história de Cuiabá. Poderá faltar dinheiro para a Saúde, mas para o VLT não vai faltar, ou vai?
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